Autor de chacina nos EUA estudava medicina e não era violento

Garrafas de refrigerante estão espalhadas pelo apartamento de cobertura no prédio de tijolinhos com três andares, num bairro deteriorado da cidade de Aurora (Colorado), no que parece a típica moradia de um aluno de medicina de 24 anos - mas com uma exceção importante: a polícia acredita que o local esteja pronto para explodir.

STE, Reuters

20 de julho de 2012 | 19h35

A apenas 6,5 quilômetros desse apartamento, James Eagan Holmes se tornou uma celebridade mundial na sexta-feira, depois de ser identificado como o homem que matou a tiros 12 pessoas numa sala de cinema, onde entrou usando uma blindagem corporal, luvas pretas e uma máscara antigás.

Holmes foi detido num estacionamento atrás do cinema, e a polícia acha que ele montou armadilhas no seu apartamento com explosivos avançados, criando um risco para os agentes policiais e esquadrões antibombas que acudiram ao local.

A sala do apartamento está cheia de fios esticados, ligados a aparentes garrafas plásticas que contêm um líquido desconhecido, segundo Chris Henderson, subchefe dos bombeiros de Aurora.

Uma foto de Holmes divulgada na sexta-feira não revela nada de excepcional. Em vez do colete à prova de balas, ele veste uma camiseta de cor laranja-queimado. É um rapaz bonito, com cabelos escuros, sobrancelhas inclinadas e desiguais, e longas costeletas. A barba está por fazer; um ligeiro sorriso se esboça em seu rosto.

Jackie Mitchell, 45 anos, carregador de móveis que mora a cerca de uma quadra, reconheceu Holmes por tê-lo encontrado na tarde de terça-feira no bar Zephyr Lounge. Eles tomaram duas cervejas juntos - havia uma promoção de duas garrafas por 2 dólares - e conversaram sobre o time de futebol americano Denver Broncos. Holmes usava jeans, óculos escuros pendurados na cabeça e mochila. Mitchell ficou com a impressão de alguém inteligente e com um jeito orgulhoso de andar.

De fato, Holmes parece ser arguto e estudioso. Nascido a 13 de dezembro de 1987, ele passou pelo menos parte da infância em San Diego, na Califórnia, onde seus pais ainda moram, numa pacata rua de subúrbio. Seu pai detém a patente de uma tecnologia que pode ser usada para detectar fraudes em telecomunicações.

Depois do colégio, Holmes se bacharelou em neurociências pela Universidade da Califórnia, Riverside, mas não conseguiu emprego ao voltar para San Diego, anos depois. Durante mais ou menos um ano, trabalhou em meio-período num McDonald's, segundo Tom Mai, que mora perto da família dele em San Diego.

Em junho de 2011, Holmes já estava no Colorado, onde se matriculou no doutorado em neurociência do Campus Médico da Universidade do Colorado Denver/Anschutz. Em nota, a escola disse na sexta-feira que ele estava em processo de desligamento.

Até sexta-feira, seu único outro atrito com a lei havia sido uma infração de trânsito, segundo as autoridades.

Quando não estava na faculdade, Holmes costumava ficar na entrada do seu prédio, onde os tiros e tráfico de drogas são relativamente comuns, segundo um vizinho.

Outra vizinha, Rachel Reed, de 25 anos, o viu várias vezes por lá, com sua mochila. Há dois meses, topou com ele no Zephyr, onde ela colocou um rap de Lil Wayne na "jukebok".

Holmes desaprovou e disse que preferia rock, segundo ela. Fez também "alguns comentários racialmente pesados sobre o rap", disse Reed. "Ele parecia um camarada normal. Estava meio de pileque."

(Reportagem adicional de Edith Honan em Nova York e Alex Dobuzinskis em Los Angeles)

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