Autoridades e companhias aéreas dos EUA estudam medidas para evitar Ebola

Autoridades federais e companhias aéreas estão debatendo se os aeroportos dos Estados Unidos deveriam examinar os passageiros para identificar aqueles que podem estar com Ebola, mas a Casa Branca informou nesta segunda-feira que uma proibição a viajantes oriundos de países do oeste da África iria retardar o combate ao vírus mortal.

STEVE HOLLAND E RICHARD VALDMANIS, REUTERS

06 de outubro de 2014 | 19h12

“O que estamos estudando é rever estes procedimentos de revista”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, a repórteres em um informe diário à imprensa. Mas as autoridades não querem atrapalhar os sistemas de transporte usados para enviar suprimentos e pessoal para as nações africanas mais atingidas pela doença, observou Earnest.

A associação comercial Airlines for America declarou que iria se reunir com autoridades de saúde e de segurança ainda nesta segunda-feira para discutir se procedimentos de revista adicionais em qualquer lugar do mundo poderiam ajudar a aprimorar os que já estão em vigor.

As pessoas que partem de países afetados pelo Ebola são instruídas a preencher um questionário informando a presença ou não de sintomas, como febre alta, e se tiveram ou não contato com alguém diagnosticado com o Ebola. Na Libéria, pelo menos, elas também são examinadas para detectar febre.

As autoridades dos EUA e o público estão em estado de alerta desde o primeiro diagnóstico de Ebola no país pouco mais de uma semana atrás, o que despertou temores de que a pior epidemia da doença já registrada possa se disseminar para além do oeste africano.

O liberiano Thomas Eric Duncan – que viajou para os EUA via Bruxelas e Washington a partir da Libéria depois de ajudar a socorrer uma mulher que mais tarde morreu do Ebola – luta pela vida no hospital Texas Health Presbyterian, de Dallas, que inicialmente o dispensou com antibióticos e teve de interná-lo dois dias mais tarde, quando chegou de ambulância.

Agentes de saúde afirmaram que nenhuma das dez pessoas que estavam sendo monitoradas depois de terem tido contato direto com Duncan mostraram sintomas do Ebola até o momento. O Ebola, que pode causar febre, vômito e diarreia, é transmitido por meio do contato com fluidos corporais, como sangue ou saliva.

“A preocupação agora é que o estresse e o medo disto se tornem mais danosos a esta comunidade do que o próprio vírus”, declarou o doutor David Lakey, comissário do Departamento dos Serviços Estatais de Saúde do Texas, a repórteres.

O hospital informou nesta segunda-feira que Duncan continua em estado grave “e agora está recebendo uma medicação experimental, Brincidofovir, para a doença do vírus do Ebola”.

O Brincidofovir foi desenvolvido pela farmacêutica Chimerix Inc, que disse que foi testado em mais de mil pacientes sem despertar preocupações sobre sua segurança.

As autoridades afirmam estar confiantes de que a doença pode ser contida nos EUA, enquanto se reforçam as medidas de reação ao Ebola em sua fonte no território africano.

A preocupação com a febre hemorrágica também é grande na Europa, onde o primeiro caso de Ebola contraído fora da África foi relatado nesta segunda-feira.

Agentes de saúde espanhóis afirmaram que uma enfermeira do país que tratou de um padre repatriado a Madri com Ebola no mês passado, e que morreu em decorrência da doença, também foi infectada.

(Reportagem adicional de Susan Heavey e Mohammad Zargham em Washington, Jon Herskovitz em Austin, Texas e Lisa Marie Garza em Dallas, Jeffrey Dastin e Sharon Begley em Nova York)

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