Aviões de EUA e França atacam Estado Islâmico; britânicos entram na coalizão

Aviões de EUA e França atacam Estado Islâmico; britânicos entram na coalizão

A França declarou que seus caças atingiram quatro hangares do Estado Islâmico que continham equipamento militar perto da cidade iraquiana de Fallujah

ARSHAD MOHAMMED E TOM PERRY, REUTERS

25 de setembro de 2014 | 17h59

Caças franceses atingiram alvos do Estado Islâmico no Iraque nesta quinta-feira, os Estados Unidos os atacaram na Síria e a coalizão liderada pelos norte-americanos ganhou ímpeto com o anúncio de que a Grã-Bretanha irá se unir aos esforços.

Os ataques franceses foram uma resposta imediata à decapitação de um turista do país na Argélia pelas mãos de militantes que disseram que a execução foi uma punição pela decisão de Paris, na semana passada, de se tornar o primeiro país europeu a participar da campanha de bombardeios encabeçada pelos Estados Unidos.

A França declarou que seus caças atingiram quatro hangares do Estado Islâmico que continham equipamento militar perto da cidade iraquiana de Fallujah, um bastião do grupo extremista e de outros militantes sunitas a oeste da capital Bagdá.

Nos EUA, o diretor da polícia federal (FBI), James Comey, afirmou que Washington identificou o militante mascarado do Estado Islâmico que se acredita ter decapitado dois reféns norte-americanos nas últimas semanas, atos que ajudaram a determinar os bombardeios de Washington.

O primeiro-ministro do Iraque, Haidar al-Abadi, presente a uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, disse nesta quinta-feira ter informações confiáveis de que redes do Estado Islâmico no Iraque tramavam ataques em trens do metrô nos EUA e na França.

Autoridades de alto escalão dos EUA declararam não ter provas da ameaça específica citada por Abadi, mas o governador de Nova York disse que ele e seu colega de Nova Jersey já estão reforçando a segurança nos meios de transporte em virtude das possíveis ameaças do Estado Islâmico.

Mais cedo na quinta-feira, a França disse que irá fazer o mesmo no metrô e em lugares públicos depois da morte do turista Hervé Gourdel por parte de simpatizantes do Estado Islâmico na Argélia.

A Grã-Bretanha, maior aliada dos norte-americanos nas guerras da década passada, finalmente anunciou que também irá ajudar nos ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico no Iraque, depois de semanas pesando suas opções. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, reconvocou o parlamento, que deve dar sua aprovação na sexta-feira.

Embora países árabes tenham se juntado à coalizão, os aliados ocidentais tradicionais de Washington demoraram para atender o apelo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mas desde segunda-feira Austrália, Bélgica e Holanda informaram que irão enviar aviões.

Até o momento, os aliados ocidentais concordaram em participar dos ataques aéreos somente no Iraque, onde o governo pediu ajuda, e não na Síria, onde as incursões estão sendo realizadas sem a permissão formal do presidente sírio, Bashar al-Assad. Nesta quinta-feira, entretanto, a França disse não descartar ampliar os ataques e incluir a Síria.

RESULTADO DOS ATAQUES

De quarta para quinta-feira, os ataques liderados pelos norte-americanos no leste sírio mataram 14 combatentes do Estado Islâmico, de acordo com um grupo de monitoramento, e foi relatado que no local forças curdas repeliram um avanço dos islâmicos rumo à cidade fronteiriça de Kobani.

A ofensiva aérea ocorreu na esteira do alarme crescente nas capitais ocidentais e árabes desde que o Estado Islâmico, um grupo militante sunita, ocupou vastas áreas da Síria e do Iraque, proclamou um “califado” para comandar todos os muçulmanos, massacrou prisioneiros e ordenou a xiitas e não-muçulmanos que se convertam ou morram.

Uma terceira noite de bombardeios dos EUA e de aliados árabes visou refinarias de petróleo controladas pelo Estado Islâmico em três localidades remotas do leste da Síria na tentativa de cortar uma grande fonte de renda da facção dissidente da Al Qaeda. As incursões também parecem ter como objetivo atrapalhar a capacidade do grupo radical de operar na fronteira entre Síria e Iraque.

Um perigo que a campanha corre na Síria é a falta de aliados fortes no local. Washington continua hostil ao governo de Assad e quer que outros opositores sírios ocupem o vácuo à medida que o Estado Islâmico é repelido, mas tais grupos de “oposição moderada” têm tido sucesso limitado.

Os EUA e seus aliados árabes mataram dezenas de combatentes do Estado Islâmico nas primeiras 24 horas dos ataques aéreos, a primeira ofensiva direta dos EUA na Síria duas semanas depois de Obama prometer atingir o grupo dos dois lados da divisa iraquiano-síria.

(Reportagem adicional de John Irish, Julien Ponthus e Andrew Callus em Paris, Sylvia Westall em Beirute)

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