Susan Walsh/ AP
Susan Walsh/ AP

Biden fala em insurreição e em restaurar decência

Presidente eleito critica ‘violência sem precedentes’ provocada por ‘um pequeno grupo de extremistas’ que não representa os EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2021 | 18h56
Atualizado 07 de janeiro de 2021 | 05h12

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, fez um pronunciamento contundente contra a violência provocada por extremistas pró-Donald Trump em Washington, dizendo que se tratou de um “ato de insurreição”. Segundo ele, seu papel nos próximos quatro anos será o de restaurar a a decência e o respeito no país. Uma multidão de vândalos invadiu o Congresso na quarta-feira, 6, e suspendeu a sessão conjunta da Câmara e do Senado que referendaria a vitória do democrata. 

“A violência que vimos é um ataque sem precedentes à democracia, ao estado de direito”, destacou o presidente eleito. “As cenas vistas foram provocadas por um pequeno número de extremistas, que não são o que nosso povo é. São ações de rebelião que devem acabar agora”, disse Biden, que pediu a Trump que se pronunciasse para encerrar os atos de ocupação. “Isso não é protesto, é insurreição.”

“Estou chocado e triste que nossa democracia tenha chegado a esse momento escuro, mas vamos vencê-lo.” Segundo o democrata, seu trabalho nos próximos quatro anos de seu governo será o de “restaurar a decência, o respeito, não elevando as chamas do caos”. “Somos os Estados Unidos da América.” 

Biden cobrou um posicionamento mais duro de Trump com os manifestantes. “As palavras de um presidente são importantes, não importa o quão bom ou ruim ele seja. Na melhor das hipóteses, as palavras de um presidente podem inspirar. Na pior das hipóteses, podem incitar”, disse Biden de sua sede de transição em Wilmington, Delaware. 

Republicanos

A ação foi repreendia por muitos dos próprios republicanos. Preso em seu gabinete, o deputado Adam Kinzinger, do Estado de Illinois, disse no Twitter que o que estava acontecendo era uma “tentativa de golpe”. 

Vários de seus colegas de partido se juntaram aos democratas para pedir que os extremistas se retirassem do Capitólio. “Isso não é americano e tem de parar”, disse o líder da minoria republicana na Câmara, Kevin McCarthy, um aliado de Trump que apoiou o esforço do presidente de desafiar os resultados. 

“Se esta eleição fosse derrubada por meras alegações do lado perdedor, nossa democracia entraria em uma espiral mortal”, disse, por sua vez, o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, que ajudou a dar a Trump algumas de suas maiores realizações no Congresso.

Em um artigo assinado pelo colunista Eugene Robinson, o jornal Washington Post também afirmou que a invasão da sede do Parlamento americano era uma tentativa de golpe. “Uma tentativa de golpe instigado por um presidente sem lei que tentava desesperadamente se agarrar ao poder e encorajado por seus cínicos facilitadores republicanos no Congresso.”

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