Bloomberg deixa partido e pode tentar Casa Branca

Especialistas acreditam que ex-executivo pode se candidatar como independente

Associated Press, Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h07

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou que está deixando o Partido Republicano e não pretende se filiar a nenhuma outra chapa por enquanto. Alguns acreditam que a manobra poderia ser o primeiro passo dentro da corrida presidencial de 2008 para a Presidência dos Estados Unidos. O ex-executivo de 65 anos, que por muitos anos foi partidário dos democratas antes de concorrer por sua primeira eleição como prefeito pelos republicanos, afirmou que a mudança anunciada na última terça-feira, 19, não significa que ele possa estar de olho na Casa Branca. Contudo, o próprio Bloomberg alimenta as especulações, já que aumentou o número de suas viagens para fora do Estado e tem mostrado grande preocupação com assuntos nacionais, ao mesmo tempo que promete não concorrer mais ao cargo no final de seu segundo mandato, em 2009. "Embora meus planos para o futuro não tenham se modificado, eu acredito que isso traz minha afiliação ao modo como eu venho liderando e vou continuar liderando nossa cidade", afirmou Bloomberg em uma declaração publicana na terça-feira. Deixando a humildade do prefeito de lado, sua declaração só aumenta a especulação em torno de uma possível campanha para a Casa Branca, o que poderia desafiar as corridas fortemente financiadas dos democratas e dos republicanos. Eleições Uma pesquisa divulgada nesta quarta mostrou que Bloomberg ocupa a terceira posição entre os eleitores em Nova York, frente aos outros dois maiores candidatos da corrida presidencial, a democrata Hillary Clinton e o republicano Rudolph Giuliani. Realizada pelo instituto de Pesquisa da Universidade de Quinnipiac, a pesquisa colheu entrevistas antes de Bloomberg anunciar sua desfiliação. Os resultados mostram que pelo menos 43% dos entrevistados optariam por Hillary. Giuliani teria 29% dos votos e, logo em seguida, estaria Bloomberg, com 16%. O milionário fundador do serviço de notícias Bloomberg, cuja fortuna está estimada em US$ 5 bilhões, poderia usar parte de suas reservas econômicas para financiar sua possível campanha presidencial, assim como o executivo texano Ross Perot fez em 1992. Bloomberg gastou mais de US$ 155 milhões para suas duas campanhas para a prefeitura. A adesão de Bloomberg na corrida presidencial poderia causar um tremor na já iniciada campanha, mas não há uma clara definição de como poderia ficar o cenário eleitoral. Alguns especialistas acreditam que Bloomberg, por suas posições moderadas, poderia angariar votos do eleitorado democrata. Ao mesmo tempo, há quem acredite que possam surgir eleitores seus entre os republicanos. Questionado na última segunda sobre uma hipotética campanha independente, Bloomberg desatou a criticar governo, sob a administração do republicano George W. Bush, e Congresso, além de lamentar os debates sobre os problemas atuais. "Acredito que o país está com problemas", disse Bloomberg, citando a Guerra do Iraque e o declínio da posição do país no mundo. "Nossa reputação está ferida e temos ido de mal a pior nos últimos anos", ressaltou. "Temos uma mentalidade individualista em um mundo onde, por causa dos avanço nas comunicações e nos transportes, vamos no sentido diretamente oposto."

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