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Bloomberg é eleito para terceiro mandato em Nova York

É a quinta vez seguida que candidatos democratas perderam em Nova York, cidade tradicionalmente liberal

Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo,

04 Novembro 2009 | 03h11

 O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, conquistou o seu terceiro mandato ao vencer as eleições desta terça-feira, 3, na maior cidade dos Estados Unidos. Com 99% dos votos apurados, o bilionário empresário das comunicações, que concorria como independente apoiado pelos republicanos, havia obtido 50,6% dos votos. Seu rival, William Thompson, do Partido Democrata, tinha recebido 46%. 

 

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A vitória teve uma dimensão bem inferior ao previsto e foi a menor diferença das três vezes que Bloomberg concorreu ao City Hall, como é chamada a prefeitura de Nova York. Pesquisas indicavam que o prefeito teria uma vantagem de 12 pontos percentuais. Thompson conseguiu reduzir esta margem com elevado comparecimento em regiões negras e hispânicas, como o Harlem e o Bronx, onde o democrata é mais popular.

 

Com uma administração bem avaliada, o atual prefeito recebeu duras críticas por gastar quase US$ 100 milhões de seu próprio dinheiro na campanha. O rival precisou arrecadar dinheiro pelas vias tradicionais e conseguiu apenas um décimo de Bloomberg. Além disso, também foi vista com ressalvas alteração nas regras eleitorais, que permitiram ao prefeito disputar o cargo pela terceira vez consecutiva, lembrando políticos como o venezuelano Hugo Chávez.

 

Esta foi a quinta vez seguida que candidatos democratas perderam em Nova York, uma cidade tradicionalmente mais liberal. As outras duas foram com Rudolph Giuliani. Apesar da derrota na cidade, os democratas venceram as disputas das quatro principais regiões metropolitanas - Manhattan, Brooklyn, Bronx e Queens. Apenas na menor de todas, Staten Island, os republicanos venceram. O Partido Democrata também ganhou os postos de controlador da cidade, que cuida das finanças, de advogado público e procurador-geral.

 

A derrota para prefeitura de Nova York não pode ser atribuída a uma baixa popularidade do presidente Barack Obama, que mantém boas relações com Bloomberg e relutou em apoiar publicamente Thompson ou de se envolver na sua campanha. Já as disputas para governador na Virginia e em New Jersey foram vistas por alguns analistas como um plebiscito da administração de Obama.

 

Os republicanos, na Virginia, que foi um dos Estados chave na vitória do presidente no ano passado, conquistaram a vitória. O candidato Robert McDonnell derrotou o democrata Creigh Deeds. Analistas diziam ontem que Estado ainda é muito dividido entre os dois partidos, mas que tende para os republicanos. A vitória de Obama na eleição presidencial se deveu, segundo eles, ao carisma do líder americano.

 

Mais grave foi a derrota em New Jersey, onde o governador democrata, Jon Corzine, perdeu para o candidato republicano Christopher Christie. O Estado tradicionalmente vota democrata - Obama teve uma vantagem de 20 pontos em 2008 - e pode indicar uma atual insatisfação com o governo Obama. Analistas diziam em blogs e nas redes de TV que pesou mais a queda na popularidade de Corzine.

 

Promessas ambiciosas

 

Bloomberg se comprometeu com uma ambiciosa agenda com a qual quer tirar os nova-iorquinos da recessão, melhorar a educação e criar casas. "Obrigado", disse Bloomberg, em inglês e em espanhol, ao apresentar-se perante seus seguidores em hotel no centro de Manhattan para proclamar sua vitória.

 

O prefeito, que admitiu que "esta vitória chega num ano difícil", enviou uma mensagem de confiança aos nova-iorquinos, ao assegurar-lhes que "o melhor está por vir". "Sei que podemos e que faremos. Nossa cidade e nosso país enfrentam tempos difíceis. É a pior recessão em décadas e hoje o povo foi claro e sublinhou que está farto da política de sempre e que quer as coisas feitas", acrescentou.

 

"Nos próximos quatro anos faremos com que esta cidade, que já é a mais segura do país, ainda mais segura, haverá criação de emprego e melhorarei o sistema educacional de Nova York, que já é o melhor de qualquer das grandes cidades do país e plantarei um milhão de árvores", prometeu Bloomberg entre outros objetivos de seu cargo.

 

O prefeito já renunciou desde seu primeiro mandato ao salário do cargo e por seu trabalho recebe um simbólico dólar anual. "Nova York acolhe pessoas de todas culturas", disse Bloomberg em espanhol, idioma que, com um professor colombiano, esteve aprendendo nos últimos anos. Ele despediu-se de seus seguidores com um "aproveitem a noite", nesse mesmo idioma, que compartilha com algo mais que 26% dos habitantes de Nova York e no qual realizou boa parte de seus anúncios de campanha.

 

(Com Efe)

 

Texto atualizado às 7h35.

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