Matt McKnight/Reuters
Matt McKnight/Reuters

Boeing 737 MAX é ‘defeituoso e perigoso’, diz informe de comitê norte-americano

Documento afirma ser necessário haver reformas na legislação aérea do país

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de março de 2020 | 19h06

O Boeing 737 MAX, obrigado a permanecer em terra há quase um ano, é um avião “basicamente defeituoso e perigoso”, o que demonstra a necessidade de reformar as leis e regulamentos relacionados com a certificação de aviões comerciais, considerou o Comitê de Transporte do Congresso dos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 6.

“O fato de que vários erros de desenho técnico ou erros de certificação haviam sido considerados ‘ em conformidade’ pela Federal Aviation Administration (FAA, Administração Federal de Aviação), ilustra uma necessidade crucial de reformas legislativas e regulatórias”, diz a conclusão do informe preliminar apresentado pelo comitê.

“Desenvolver um avião comercial que cumpra com as obrigações da FAA, mas que é basicamente defeituoso e perigoso, deixa uma evidência de um sistema de vigilância da aviação que necessita urgentemente de mudanças”, afirma o comitê.

O avião símbolo do fabricante está em terra desde 13 de março de 2019, depois de dois acidentes que tiraram a vida de 346 pessoas. O sistema antibloqueio MCAS foi questionado e, atualmente, a Boeing está trabalhando em uma solução.

A gigante da aviação com sede em Seattle, nos Estados Unidos, teve que suspender as entregas e em janeiro decidiu parar a produção. A organização também substituiu seu diretor gerente. Esta é a crise mais grave nos 104 anos da famosa fabricante aeronáutica, que fez aflorar numerosos problemas. 

No informe, o Comitê de Transporte do Congresso enumera as cinco principais críticas, que já foram mencionadas em outras investigações: as pressões sobre os empregados da Boeing para aumentar o ritmo da produção do MAX em detrimento da segurança; suposições errôneas sobre tecnologias importantes como o MCAS; ocultamento de informações cruciais para a FAA, empresas clientes e pilotos; conflitos de interesses e a influência da Boeing na FAA. 

A empresa reguladora aérea disse em um comunicado que seus procedimentos de certificação foram conduzidos para uma segurança aérea sem precedentes nos Estados Unidos, mas afirmou que é uma instituição que “aprende e está aberta para uma evolução profunda”.

David Calhoun, o novo chefe da Boeing, assumiu o comando da empresa, substituindo Dennis Muilenburg. Ele prometeu uma mudança na cultura interna para restaurar a reputação da empresa, que está afundada nesta crise, assim como as relações de confiança com as autoridades e com as companhias clientes./Com AFP.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.