Bolsões de pobreza crescem nos EUA, diz estudo

A pobreza se agravou na última década em muitos bairros de cidades do Meio-Oeste e Sul dos EUA, ameaçando as escolas, a segurança e a saúde pública, e aumentando os gastos dos governos locais, segundo um estudo divulgado nesta quinta-feira.

LISA LAMBERT, REUTERS

03 de novembro de 2011 | 10h03

A Brookings Institution, entidade de pesquisas independente, concluiu que as populações em bairros de pobreza extrema aumentaram em pelo menos um terço nos últimos dez anos.

Pelo menos 40 por cento dos indivíduos nessas áreas vivem abaixo da linha de pobreza definida pelo governo federal dos EUA, o que significa uma renda anual de 22.134 dólares para uma família de quatro pessoas.

O maior crescimento da pobreza aconteceu no Meio-Oeste. Mas a cidade com a maior concentração de pobres no país é McAllen, no Texas (sul), onde mais de um terço dos habitantes são considerados pobres. El Paso, também no Texas, e Memphis, no Tennessee, aparecem em seguida nessa lista.

"Ao invés de se distribuírem de maneira uniforme, os pobres tendem a se agrupar e concentrar em certos bairros ou grupos de bairros dentro de uma comunidade", disse a Brookings. "Bairros muito pobres enfrentam todo um conjunto de desafios que advêm da desvantagem concentrada - de taxas de criminalidade mais elevadas e piores resultados na saúde a oportunidades educacionais mais reduzidas e redes de empregos mais fracas."

Segundo o relatório, que se baseia em dados do Censo de 2000 e de pesquisas domiciliares por amostragem feitas de 2005 a 2009, "o crescimento da pobreza causada pela recessão no final da década de 2000 aumentou ainda mais a concentração de indivíduos pobres em bairros de pobreza extrema".

Ainda segundo a pesquisa, quase 6,5 milhões de crianças viviam em 2009 em lares com rendimento inferior à metade do limite oficial da pobreza. O Sul dos EUA respondeu por quase metade do aumento da pobreza extrema no país.

"Em 2009, as pessoas na pobreza extrema eram o grupo de renda que mais crescia (nos Estados Unidos da) América", disse Steve Suits, vice-presidente da Fundação Sulista da Educação.

Recentemente, o Departamento do Censo informou que o número de pobres cresceu em quase todos os Estados dos EUA em 2010.

A Brookings relatou que cerca de 40 por cento dos pobres vivem fora das grandes cidades, o que mostra que a pobreza está se estendendo para os subúrbios (tradicionais redutos da classe média nos EUA).

O afro-americanos continuam sendo o grupo mais expressivo nos bairros de pobreza extrema, mas desde 2000 cresceu a presença nessas áreas de anglo-saxões brancos, ao mesmo tempo em que diminuiu o percentual de latinos, segundo a Brookings.

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