BP vai tentar parar vazamento em poço danificado na terça-feira

A BP disse nesta sexta-feira que vai vedar na semana que vem o poço Macondo, no golfo do México, enquanto o Congresso dos Estados Unidos se prepara para votar reformas destinadas a impor maiores restrições à exploração marítima de petróleo.

LEIGH COLEMAN, REUTERS

30 de julho de 2010 | 16h58

Bob Dudley, futuro executivo-chefe da empresa, disse que a BP tentará na terça-feira a chamada "morte estática" do poço, que consiste em tampá-lo com lama e cimento.

"Queremos absolutamente matar esse poço. A morte estática será tentada na terça-feira. O poço auxiliar (estará pronto) até o fim do mês (de agosto)", disse Dudley, principal executivo envolvido na operação, e que assumirá o comando geral da companhia em 1o de outubro.

A "morte estática" irá interromper o vazamento, que começou em 20 de abril e é o pior desse tipo na história do país. Já o poço auxiliar servirá para eliminar definitivamente o problema.

O almirante da reserva Thad Allen, principal autoridade norte-americana envolvida na operação, havia dito na quinta-feira que esperava a "morte estática" já no fim de semana.

Nesta sexta-feira, Allen afirmou que o procedimento seria adiado até terça-feira, para que fossem eliminados detritos e sedimentos encontrados no poço auxiliar, perfurado até grandes profundezas para interromper o vazamento por baixo.

Depois da limpeza, a BP poderá terminar de cimentar o duto até o poço auxiliar e realizar a "morte estática", disse Allen.

O poço danificado já está temporariamente lacrado há duas semanas, e autoridades dos Estados Unidos estão cautelosamente otimistas de que o óleo que vazou está se dissipando.

Na sua primeira entrevista coletiva desde que foi indicado executivo-chefe, Dudley prometeu não reduzir o ritmo das tarefas de limpeza da costa.

"Não seremos nada complacentes com isso", afirmou.

Em Washington, parlamentares debatem regras mais rígidas para a exploração marítima de petróleo. Os republicanos dizem que a medida pode afetar a produção norte-americana de gás e petróleo, além de cortar empregos bem remunerados no setor.

Os democratas argumentam que as novas regras tornariam a atividade mais segura para os funcionários, e protegeria o meio ambiente de vazamentos como o da BP, que causou graves danos aos manguezais da costa sul dos Estados Unidos, além de imensos prejuízos econômicos.

A Câmara deve aprovar a medida na sexta-feira, mas ela ainda tem um longo trâmite a percorrer. Um projeto similar corre no Senado, mas dificilmente será votado antes do recesso de verão, que começa em 6 de agosto.

No Senado, os republicanos e alguns moderados se opõem ao fim do limite de responsabilidade civil para as empresas de petróleo em caso de vazamentos -- inclusive no episódio da BP.

O atual teto é de 75 milhões de dólares, mas por pressão do governo a BP já reservou 20 bilhões de dólares para indenizações e gastos de recuperação.

Para arcar com esse prejuízo, a BP deve vender 25 a 30 bilhões de dólares do seu patrimônio no mundo todo.

(Reportagem adicional de Richard Cowan e Tom Doggett, em Washington; de Matthew Bigg, em Atlanta; e de Kristin Hays, em Houston)

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