Brasileiro espera furacão Ike em sua casa em Houston

Marcelo Meira mora no centro da cidade e sua casa não corre risco de inundação

Cláudia Ribeiro, do estadao.com.br,

12 de setembro de 2008 | 20h09

O furacão Ike deve chegar a Houston no início da madrugada deste sábado (1h - horário Brasília). Depois da experiência com o furacão Rita, há três anos, o brasileiro Marcelo Meira, 37 anos, decidiu esperar a passagem do furacão em sua casa, no centro da cidade, pois mora em uma das regiões que não precisaram ser deixadas pela população. De acordo com um plano do governo local, apenas na região costeira foi recomendado o abandono das casas.  Veja também:Ouça a íntegra do depoimento  Imagens da passagem do Ike Pentágono mobiliza Exército para passagem do Ike nos EUAFuracão Ike se aproxima do Texas e provoca inundações "Foi preparado um plano cuidadoso, que foi colocado em prática há três dias. O plano dividiu a cidade em três partes. Duas destas áreas foram evacuadas. Para a terceira área e o centro, a recomendação é permanecer em casa, longe de vidraças, porque o risco é o vento. A recomendação também é ter o tanque do carro cheio de combustível, alimentos e água dentro de casa", afirma Meira.  Ele contou que, mesmo na região onde foi necessária a saída da população, o clima era de tranqüilidade. "Lá o problema é a formação de uma grande onda que vem e toma conta desta área que é muito baixa, por ser uma região costeira. Estima-se que esta maré seja de 22 a 23 pés, o que significa sete metros. É uma quantidade muito grande de água."  A população desta região já saiu, segundo Meira. Ele conta que para evitar grandes congestionamentos na estrada, o governo incluiu no plano a iniciativa de que todas as estradas fossem em uma só direção, para facilitar a saída da cidade. "Mas isso nem precisou ser colocado em prática". Experiência Meira percebe que as pessoas estão mais tranqüilas porque Houston já teve furacões no passado. "As pessoas já têm experiência e, por isso, estão mais confiantes. O que se espera é só queda de árvore e, portanto, de energia. Caso isso aconteça, eu prevejo que muitas pessoas saiam de suas casas depois do furacão, porque sem energia não há ar condicionado e aqui é tudo muito quente e úmido", explica.  Ele disse que a sua experiência com a passagem do furacão Rita fez com que ele tivesse a segurança para ficar em casa desta vez. Naquela época, segundo ele, houve uma tentativa de tirar toda a população da cidade, o que resultou em um mega congestionamento. "O aprendizado daquela situação é que pessoas que moram na área que eu moro não devem fazer isso, porque você acaba congestionando as estradas de uma maneira excessiva. E se você ficar em casa o perigo não é tão grande assim. Então é melhor que você deixe as saídas livres para quem precisa de fato sair de casa", disse. Para fugir do Rita, ele ficou nove horas em uma estrada para fazer um percurso que normalmente faz em três horas. "Soube de histórias muito piores, mas naquela época não havia uma preparação, um plano, como houve desta vez", relata o brasileiro.

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