Bush acusa Rússia de cercar e intimidar a Geórgia

Presidente afirma que a Guerra Fria acabou, mas ressalta que relações com Washington foram prejudicadas

Agência Estado e agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 10h06

O presidente americano, George W. Bush, acusou nesta sexta-feira, 15, a Rússia de "cerco e intimidação" contra a Geórgia, ao afirmar que Moscou prejudicou sua posição internacional ao enviar tropas ao país e reiterou que o conflito na Geórgia tinha prejudicado as relações entre russos e seus parceiros ocidentais. Bush disse ainda que os russos devem cumprir com sua palavra e retirar as tropas da Geórgia, mas reforçou que os Estados Unidos querem ter boas relações com a Rússia e que não é de seu interesse que suas relações voltem a ser como eram no período da Guerra Fria.   Veja também: Separatistas não podem integrar a Geórgia, diz Rússia Rússia mantém ocupação de cidades na Geórgia Rice vai à Geórgia para garantir cessar-fogo Rússia: escudo agrava relação com EUA Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia "Um relacionamento conflituoso com a Rússia não faz parte dos interesses da América e um relacionamento conflituoso com a América não faz parte dos interesses da Rússia", disse Bush antes de partir para o Texas em férias. Mas o presidente americano acrescentou que, "com suas ações nos últimos dias, a Rússia prejudicou sua credibilidade e suas relações com as nações do mundo livre. Ameaça e intimidação não são meios aceitáveis para conduzir a política internacional no século 21". " Os EUA não deixarão de lado" o aliado georgiano.   "A Rússia é a única que pode decidir se voltará a se encaminhar pela via das nações responsáveis ou decide buscar uma política que promete só confronto e isolamento", disse Bush. "Para começar a reparar as relações com os EUA, Europa e outras nações, e para começar a recuperar seu lugar no mundo, a Rússia deve respeitar a liberdade de seus vizinhos", acrescentou.   Bush disse que vai receber informes da secretária de Estado, Condoleezza Rice, sobre a situação na Geórgia. Ela está em Tbilisi para tentar aliviar as tensões entre Rússia e Geórgia e conseguir a assinatura do acordo de cessar-fogo mediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.   A crise explodiu no final de na semana passado, quando as tropas da Geórgia buscaram restabelecer seu controle na Ossétia do Sul - uma região separatista ao norte georgiano - com ataques à capital regional de Tskhinvali. A Rússia respondeu de forma arrasadora, com o envio de tropas e ataques aéreos em apoio aos separatistas, à maioria dos quais possui a cidadania russa.   As considerações, pouco antes de uma viagem de duas semanas para seu rancho no Texas, acontecem paralelamente ao encontro da secretária do Estado dos EUA, Condoleezza Rice, com o presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, em Tbilisi. O conflito na Geórgia, junto ao fechamento de um acordo preliminar com a Polônia para a instalação de um escudo antimíssil no país, intensificou a tensão nas relações entre a Rússia e os EUA.   Em Moscou, após reunir-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que seu país "não quer piorar suas relações no curto prazo ou no longo prazo" com o Ocidente. "Estamos prontos para trabalhar com todos abertamente e com boa vontade e não queremos restringir nossas relações com qualquer parte". Mas Medvedev acrescentou que a Rússia irá responder com novos ataques a seus cidadãos do mesmo modo que fizeram na semana passada na Geórgia e que a instalação de novos mísseis de defesa na Europa está direcionada à Rússia.   Bush, em Washington, reconheceu a tensão, dizendo que a Rússia tende ver a expansão da democracia como uma ameaça a seus interesses. "O oposto também é verdadeiro", afirmou Bush, repetindo sua visão de que a soberania e a integridade territorial da Geórgia devem ser respeitados.  

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