Bush afirma que deixa um mundo 'mais livre' como legado

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu na quinta-feira o seu desempenho na política externa, seja na guerra do Iraque ou nos impasses nucleares com Irã e Coreia do Norte, em mais uma tentativa de polir o seu turbulento legado. "Deixamos o mundo mais livre", insistiu Bush durante uma cerimônia no Departamento de Estado, a cinco dias de entregar a presidência ao democrata Barack Obama. Embora tenha enfatizado o que considera serem os seus sucessos, Bush lega ao sucessor uma série de tarefas inconclusas, como as guerra do Iraque e Afeganistão e o conflito na Faixa de Gaza, além de deixar os EUA com uma imagem internacional abalada. Obama também herdará de Bush a pior crise financeira em quase 80 anos, com graves repercussões na economia mundial. Na contagem regressiva para o fim de uma presidência que já é considerada entre as piores da história pelos acadêmicos, Bush e seus assessores usaram o último dia de atos públicos antes da posse de Obama, na terça-feira, para dar um aspecto positivo aos dois últimos mandatos. "O julgamento da história raramente é o mesmo das manchetes de hoje", disse a secretária de Estado Condoleezza Rice em uma introdução cheia de elogios ao chefe. Bush transmitirá suas palavras finais ao povo norte-americano às 20h (23h em Brasília), num pronunciamento televisivo na Casa Branca. Bush, que deixa o cargo com uma das menores taxas de aprovação popular da história -- cerca de 25 por cento -- usou a ida ao Departamento de Estado para insistir que os EUA avançaram na "guerra ao terrorismo" que ele declarou após os atentados de 11 de setembro de 2001. "Construímos uma coalizão de mais de 90 nações para combater o terror e avançar a causa da liberdade, na maior luta ideológica do nosso tempo", disse ele a uma plateia de funcionários do Departamento de Estado e alguns poucos diplomatas estrangeiros. Bush apresentou as melhorias na segurança do Iraque como uma prova de quão úteis foram os reforços militares enviados por ele no auge da violência sectária, em 2007. "O Iraque está se tornando uma democracia em ascensão, um aliado na guerra ao terror", disse ele. A guerra do Iraque, lançada sem o aval da ONU, abalou a credibilidade dos EUA no exterior e contribuiu com a retumbante vitória de Obama contra o republicano John McCain na eleição de novembro. (Reportagem adicional de Tabassum Zakaria e David Alexander)

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