Bush anuncia retirada de 5,7 mil soldados do Iraque até o Natal

Decisão é reflexo da aprovação do presidente em relação às recomendações feitas pelo general David Petraeus

Agências internacionais,

13 de setembro de 2007 | 19h54

Em discurso que fará à nação na noite desta quinta-feira, 13, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciará que pretende retirar cerca de 5,7 mil soldados do Iraque até o Natal, antecipou a Casa Branca durante a tarde. Ele defenderá, no entanto, a permanência das tropas americanas enquanto o país árabe continuar na "luta por sua sobrevivência". Com o pronunciamento, o presidente também espera conseguir com que a oposição democrata no Congresso lhe dê mais tempo para tentar estabilizar o país.   A decisão reflete a aprovação do presidente em relação às recomendações feitas pelo comandante americano em Bagdá, David Petraeus, para quem é possível retirar ao menos 21,5 mil soldados e um número indefinido de tropas de apoio até julho do ano que vem.   Ao longo desta semana, em sabatinas frente a comissões da Câmara dos Representantes (deputados) e do Senado, Petraeus defendeu o retorno do número de soldados aos níveis de janeiro deste ano, mês em que Bush anunciou o envio de reforços militares para conter a espiral de violência que castigava o país. Ainda assim, ao antecipar o discurso desta quinta-feira, a Casa Branca não quis especificar o número exato de soldados pretende retirar do país até julho de 2008.   Bush deve oferecer uma estratégia para dar continuidade à redução das tropas. "O princípio que guia minhas decisões sobre o número de soldados no Iraque é: quanto mais bem sucedido formos, mais soldados americanos poderão voltar para casa", dirá o presidente.   Apesar das palavras otimistas, o discurso acontece após um duro revés para a recente estratégia americana de aproximação de líderes sunitas para combater a Al-Qaeda no Iraque. Isso porque um importante xeque desta seita muçulmana que havia se aliado aos Estados Unidos na província de Anbar foi morto nesta quinta-feira, possivelmente por membros do grupo extremistas.   Abdul Sattar Abu Risha, conhecido por criar o grupo "Conselho de Salvação de Anbar", esteve com Bush durante a recente viagem do presidente à província. A suposta estabilização da região vinha sendo alardeada pelo governo americano como uma prova do sucesso da nova estratégia dos Estados Unidos estabelecida a partir de janeiro.   Missão ampliada   O presidente também antecipará que o engajamento americano no Iraque se estenderá para além de sua presidência, o que irá tornar necessário mais apoio militar, financeiro e político de Washington.   Segundo Bush, os líderes iraquianos pedem por um fortalecimento no relacionamento com os Estados Unidos. "Estamos prontos para começar a construir esse relacionamento de uma maneira que nossos interesses sejam protegidos e que menos soldados sejam necessários na região."   Embora as medidas que serão anunciadas por Bush pareçam não atender às reivindicações dos opositores da guerra, para o presidente, a decisão de preparar um retorno ao contingente americano no níveis de janeiro (130 mil soldados), diminuirá as divisões entre os que são favoráveis à uma retirada e os que defendem a manutenção do conflito.

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