Bush defende seu candidato a secretário de Justiça

Kennedy diz não ter dúvida de que o Departamento de Justiça "precisa desesperadamente de um novo líder"

EFE,

02 de novembro de 2007 | 04h22

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, defendeu nesta quinta-feira, 1º, a atitude de Michael Mukasey, candidato a secretário de Justiça, que se recusou a esclarecer se a asfixia simulada é um método de tortura, enquanto aumentam as dúvidas sobre a sua confirmação no cargo pelo Senado. Em declarações aos jornalistas, Bush considerou injusto que, como condição de sua confirmação, a oposição democrata obrigue Mukasey a explicar se a asfixia simulada é ou não um método ilegal nos interrogatórios de detidos. "Mukasey não sabe se utilizamos ou não essa técnica. Também não faz sentido informar o inimigo sobre o que estamos fazendo", insistiu Bush. Mais tarde, durante um discurso na Fundação Heritage, de perfil conservador, Bush defendeu novamente Mukasey, um ex-juiz federal, nomeado para substituir Alberto Gonzales, que renunciou em 17 de setembro. "É um erro os líderes do Congresso condicionarem a confirmação do juiz Mukasey à sua vontade de explicar oficialmente os detalhes de um programa secreto do qual não recebeu informação", sustentou Bush. Na próxima terça-feira, o Comitê Judicial do Senado deverá votar a nomeação de Mukasey como próximo secretário de Justiça e procurador-geral. Em seguida, seu nome será submetido ao plenário da Câmara Alta. A confirmação de Mukasey estava praticamente garantida há duas semanas. Mas agora está em dúvida devido à insatisfação de muitos democratas com a sua falta de clareza sobre a legalidade da asfixia simulada."Se o Comitê Judicial do Senado vetar o juiz Mukasey, estará estabelecendo uma nova norma que nenhum candidato a procurador-geral poderia cumprir. Assim, os Estados Unidos não terão um procurador-geral durante este tempo de guerra", alertou Bush. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, explicou que Mukasey "atualmente é um cidadão comum". "Depois de confirmado, o Congresso poderá pedir o seu testemunho sobre todo tipo de assunto, inclusive este", acrescentou. No entanto, vários líderes democratas do Senado consideram que estão dando um tratamento justo a Mukasey. O senador Edward Kennedy deixou claro que, embora acredite que ele é um advogado "cauteloso, consciencioso e inteligente", essas qualidades "não são suficientes para um cargo tão importante neste momento". Em discurso no plenário do Senado, Kennedy disse que não há dúvida de que o Departamento de Justiça "precisa desesperadamente de uma nova liderança" e que o próximo secretário de Justiça "tem que assumir um compromisso firme com a justiça e a eqüidade, mesmo se a Casa Branca tentar seguir em outra direção". "Tive a oportunidade de me reunir com o juiz Mukasey, de ouvir o seu testemunho no Comitê Judicial do Senado e de ler suas respostas a questionários do Comitê. Minha consciência manda não aprovar a sua nomeação", afirmou Kennedy. O senador democrata por Massachusetts teme que a recusa de Mukasey a opinar sobre a legalidade da asfixia simulada como método de interrogatório possa aumentar o risco de adoção da prática contra soldados americanos.

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