Bush deve anunciar retirada de 30 mil soldados do Iraque

Em discurso, presidente oficializará estratégia sugerida pelo comandante do Exército, David Petraeus

Reuters

13 de setembro de 2007 | 10h50

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deve fazer nesta quinta-feira, 13, um discurso em que dará aval ao início da retirada parcial de tropas do Iraque, mas sem outros sinais de mudança de rumo no impopular conflito. Estima-se que até 30 mil soldados deixarão o país árabe até meados de 2008. Veja Também Cresce aprovação de Bush sobre IraqueLíder sunita que se reuniu com Bush é morto no Iraque Em busca de apoio popular contra a ofensiva da oposição democrata pela desocupação, Bush fará um pronunciamento pela TV, dois dias depois do importante depoimento ao Congresso dos principais representantes civil e militar dos EUA no Iraque.  É quase certo que o presidente manifeste apoio à recomendação do general David Petraeus para a retirada gradual de 30 mil soldados até meados do ano que vem. Na prática, isso significa deixar o contingente com o mesmo tamanho de antes do envio de reforços determinado em janeiro por Bush - ou seja, cerca de 130 mil soldados.  A retirada não é tão rápida nem tão ampla quanto queriam os democratas, mas pode dar mais tempo a Bush.  A Casa Branca antecipa que não haverá mudanças radicais na política para o conflito, de modo que dificilmente muitos americanos ficarão convencidos com o pronunciamento.  Democratas A bancada democrata no Congresso não se animou com os relatos de progressos no Iraque feitos pelo general Petraeus. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, acusou Bush de na prática ter se comprometido com pelo menos 10 anos de presença dos EUA no Iraque. Alguns republicanos também manifestam dúvidas com a estratégia da Casa Branca.  O porta-voz de Bush, Tony Snow, disse que Pelosi está "redondamente enganada", e negou que o governo tenha uma estratégia estática no Iraque. "Só uma pessoa louca deixaria de ajustar a estratégia regularmente, com base nas realidades no fronte", afirmou.  Mas os democratas insistem que a Casa Branca está distorcendo o que o Pentágono vem dizendo há meses - que o envio de reforços ao Iraque tem prazo de validade, devido ao risco de sobrecarregar as Forças Armadas.  "Receber crédito por esta redução de tropas é como receber crédito por o sol ter saído de manhã", declarou a senadora Hillary Clinton, cotada como favorita para ser a candidata democrata a presidente em 2008.  Mesmo com a retirada de 30 mil soldados, os EUA continuariam com 130 mil no Iraque, e Petraeus disse que só a partir de março será possível avaliar se, e quando, haverá novas reduções.  Presença prolongada O general deixou claro no depoimento, porém, que a saída das tropas de combate não elimina o fato de que os EUA precisarão manter uma presença militar no Iraque durante vários anos - ou seja, a decisão provavelmente ficará com o sucessor de Bush.  Analistas dizem que Petraeus, principal comandante militar dos EUA no Iraque, foi escolhido para lançar as bases para o discurso de Bush devido à credibilidade que ele tem entre republicanos e democratas.  Bush, cuja taxa de aprovação se aproxima de recordes historicamente negativos, deve admitir a frustração dos norte-americanos com a guerra, mas ao mesmo tempo pedirá mais tempo para que sua estratégia funcione.  Embora deva citar progressos na segurança do Iraque, ele vai insistir que reduções do contingente dependem da continuidade das melhorias.  Salientando a importância que o governo dá a esse discurso, a Casa Branca disse que ele passou por mais de 20 versões.

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