Bush diz que cessar-fogo em Gaza é responsabilidade do Hamas

Em sua última coletiva prevista, presidente diz que grupo deve deter disparo de foguetes para trégua em Gaza

Agências internacionais,

12 de janeiro de 2009 | 13h02

Em sua última entrevista coletiva como presidente dos Estados Unidos, George W. Bush afirmou nesta segunda-feira, 12, que um cessar-fogo na Faixa de Gaza é responsabilidade do grupo islâmico Hamas e que a solução do conflito do Oriente Médio é o estabelecimento de dois Estados, "duas democracias que vivam em paz". "Sou a favor de um cessar-fogo duradouro. E uma definição de trégua duradoura seria o Hamas colocar fim no lançamento de foguetes contra Israel". Acredito que esta é uma escolha do Hamas. Segundo Bush, Israel tem o direito de se defender, mas que é preciso evitar a morte de inocentes.   Bush, que deixa o cargo na semana que vem, afirmou que o maior ameaça que o seu sucessor, Barack Obama, pode enfrentar seria um ataque contra o território americano. Segundo ele, esta é a "ameaça mais urgente que terá de tratar, assim como todos os outros presidentes depois dele". "Gostaria de dizer que este não é o caso, mas há um inimigo e que gostaria de causar danos aos americanos". Bush estava em seu primeiro mandato durante os ataques de 11 de setembro de 2001. O presidente ressaltou ainda que o Irã e a Coreia do Norte ainda são países considerados perigosos.   O presidente ainda admitiu durante a coletiva que entre os seus erros durante sua administração está a postura adotada durante a passagem do furacão Katrina e o anúncio de missão cumprida sobre a missão no Iraque. Segundo ele, foi um erro colocar o letreiro no porta-aviões, em 2003, enquanto declarava que as principais operações de combate no país estavam cumpridas. Outro erro teria sido não aterrissar o avião presidencial americano enquanto sobrevoava a região devastada pelo furacão Katrina em 2005. Por conta do incidente, Bush foi acusado de negligência com pobres e negros.   Bush pediu ainda para que seu partido seja mais "compassivo" e tenha uma "mentalidade aberta", principalmente, porque persiste a ideia de que "os republicanos não gostam dos imigrantes". "Este partido ressurgirá, mas a mensagem do partido tem que incluir diferentes pontos de vista". "Nosso partido tem que ser compassivo e ter uma mentalidade aberta", acrescentou.   O líder americano pediu aos republicanos que resistam ao isolamento por causa de sua derrota nas eleições de 4 de novembro, e deu como exemplo o debate sobre a reforma migratória. "Obviamente, é um assunto altamente polêmico. E o problema com o resultado da rodada inicial do debate foi que algumas pessoas disseram: bom, os republicanos não gostam dos imigrantes", disse. Bush acrescentou que, se essa é a imagem que persiste dos republicanos, "provavelmente outra pessoa está dizendo lá fora que, se eles não gostam dos imigrantes, então provavelmente eu também não gosto".   O presidente também disse que está "frustrado" por não ter conseguido convencer o Congresso a aprovar os acordos de livre-comércio com a Colômbia, Panamá e Coreia do Sul. "Achei realmente que, em um dado momento, tínhamos a oportunidade de fazer isso", disse. Bush se confessou "preocupado" com o protecionismo e afirmou que, em tempos de crise, existe a tentação de elevar as barreiras tarifárias. No entanto, enfatizou que "seria um erro gigante" que os Estados Unidos se transformasse "em um país protecionista".

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