Bush diz que denunciar aliança nuclear da Síria era arriscado

Presidente afirma que revelação tem objetivo político para alertar Coréia do Norte e Irã por programa atômico

Agências internacionais,

29 de abril de 2008 | 14h18

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta terça-feira, 29, que caso Washington tivesse divulgado anteriormente a suposta colaboração nuclear entre Coréia do Norte e Síria, como denunciou nos últimos dias, teria aumentado o risco de conflito ou represália no Oriente Médio.  A Casa Branca anunciou de surpresa uma entrevista coletiva para falar fundamentalmente sobre a situação econômica do país, onde Bush propôs o aumento da prospecção e exploração de petróleo e gás natural no território.  Veja também:Bush quer Congresso mais agressivo frente à crise O governo americano informou na última semana ao Congresso que algumas instalações sírias destruídas no dia 6 de setembro por Israel eram na realidade uma usina nuclear não declarada e construída com ajuda da Coréia do Norte. A Casa Branca foi muito criticada pelos congressistas, que lamentaram que esta informação não tenha sido divulgada imediatamente após o ataque israelense. Bush disse nesta terça que informou naquela oportunidade a 22 legisladores e que se não divulgou a informação mais amplamente foi pelo fato de "uma informação mais adiantada teria um maior risco de criar um conflito ou represálias no Oriente Médio". Por isto, afirmou, decidiu divulgar as informações "quando o risco for menor". Além disso, o presidente reconheceu que com a divulgação desejava alcançar vários objetivos políticos, entre eles indicar para a Coréia do Norte que sabem "mais coisas do que eles pensam" e por isso Pyongyang deve cumprir seu compromisso de apresentar uma lista exaustiva de suas atividades nucleares. Da mesma forma, Bush disse desejava mostrar ao Irã o quão desestabilizador seria um programa nuclear no Oriente Médio e aos países-membros do Conselho de Segurança da ONU a "necessidade de deter os programas de enriquecimento de urânio" como os desenvolvidos por Teerã. Guerras no Oriente O presidente dos Estados Unidos afirmou que mantém suas esperanças de chegar a um acordo de paz entre israelenses e palestinos antes do final de seu mandato, em janeiro. Em entrevista coletiva no Jardim da Casa Branca, Bush afirmou que continua com esperanças de "que haverá um acordo" até o final de sua Presidência, um dos objetivos que estabeleceu para seu último ano na Casa Branca. O líder americano deve realizar uma viagem pelo Oriente Médio em meados de maio para impulsionar estas negociações, atualmente estagnadas. Em suas declarações, Bush acusou o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, de prejudicar os esforços para conseguir a paz na região. "A paz no Oriente Médio vai ser difícil, mas o que torna ainda mais difícil são grupos como o Hamas, que insistem em lançar foguetes contra Israel, tentando provocar uma resposta e tentando desestabilizar a região ainda mais", declarou Bush.  Bush disse ainda que o país está "avançando" no Afeganistão, apesar dos ataques do final de semana contra o presidente Hamid Karzai. "Acredito que estamos avançando, ainda que exista um inimigo com capacidade de se recuperar", disse o presidente ao comparar a situação no país com o regime Taleban, derrotado pelas forças americanas em 2001. "Eles não acreditavam nos direitos das mulheres, não permitiam que as meninas freqüentassem escolas, protegiam a Al-Qaeda", afirmou. Zimbábue Bush pediu ainda para que os vizinhos do Zimbábue pressionem o governo do presidente Robert Mugabe a divulgar os resultados das eleições presidenciais do dia 29 de março. A oposição acusa o governo de atrasar o anúncio dos números oficiais numa manobra para tentar manter Mugabe no poder.  O presidente afirmou que os eleitores "votaram a favor da mudança, como deviam, porque o senhor Mugabe falhou em seu país" e, portanto, "a vontade do povo deve ser respeitada no Zimbábue". Bush também denunciou a "violência e intimidação inaceitáveis" que o regime de Mugabe desenvolve no país africano, um Estado "que antes era exportador de alimentos e onde agora as condições são terríveis".  Comércio com a Colômbia O presidente Bush disse ainda que está perplexo com a decisão da maioria democrata do Congresso americano de bloquear o Tratado de Livre Comércio (TLC) com a Colômbia. Ele disse ainda que está convencido de que o pacto com o seu maior aliado latino-americano "beneficiaria a economia americana", ao beneficiar cerca de 9 mil exportadores que vendem produtos ao país.  

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