Bush diz que grupo de países pode afundar Doha

O presidente dos Estados Unidos garantiu que o país será flexível para impulsionar um acordo

EFE

07 de setembro de 2007 | 00h21

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta sexta-feira que a intransigência de um grupo de países pode provocar a paralisação definitiva das negociações da Rodada de Doha e declarou que seu país será flexível para impulsionar um acordo. "Os EUA têm tanto a vontade como a flexibilidade para ajudar a Rodada de Doha a ser concluída com sucesso. Pedimos a nossos parceiros da Apec para que nos auxiliem neste esforço vital", disse em discurso diante de líderes empresariais do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec). "Nenhum país sozinho pode conseguir que Doha seja um sucesso, mas é possível que alguns países que não estão dispostos a fazer as contribuições necessárias provoquem a paralisação de Doha", acrescentou. Bush disse antes de viajar para Sydney, onde acontecerá a cúpula da Apec, que a revitalização de Doha seria um de seus objetivos prioritários durante sua ida à Austrália. As negociações globais de comércio, que começaram em 2001 na cidade de Doha, permanecem estagnadas pelas profundas divisões entre os diferentes países sobre os subsídios agrícolas, as tarifas e outros assuntos. Em junho, os EUA acusaram a Índia e o Brasil de querer uma redução inviável dos subsídios agrícolas americanos e culpou os dois países de não reduzir o suficiente suas tarifas industriais. Representantes dos 151 membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) reiniciaram na segunda-feira, em Genebra, as negociações de Doha. "Agora que as negociações foram retomadas, os líderes de cada país têm que adotar decisões difíceis para reduzir as barreiras ao comércio e devemos nos concentrar no que podemos ganhar, não no que podemos perder", disse Bush. O presidente americano observou que Doha representa uma oportunidade única para ajudar a abertura dos mercados e para conseguir tirar da pobreza milhões de pessoas. "Os EUA se comprometem a tirar proveito desta oportunidade e precisamos de parceiros na região (asiática) para nos ajudar neste esforço", declarou. Os 21 membros do Apec são responsáveis por metade do comércio mundial. Durante seu discurso, Bush também pediu aos integrantes do Apec que assumam a liderança na luta contra a mudança climática e que permaneçam unidos na luta contra o terrorismo. Ele lembrou que os EUA receberão este mês uma conferência sobre aquecimento global para a qual foram convidadas as 15 nações mais poluentes do planeta, entre elas China e Índia. "Trabalharemos para alcançar um acordo daqui até o próximo ano sobre um plano de ação futuro", antecipou, em referência à necessidade de alcançar um acordo que substitua o Protocolo de Kioto, que vence em 2012. Ele também pediu à Rússia e à China que respeitem os princípios democráticos e permitam mais liberdade em seus países. Também solicitou uma maior pressão internacional contra o regime militar da Birmânia para deter os ataques contra os ativistas pró-democratas do país do sudeste asiático.

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