Bush diz que sua retórica o fez parecer um 'homem de guerra'

Ao 'The Times', presidente americano afirma que foi 'muito doloroso' colocar jovens americanos em perigo

Entrevista com

Efe e Reuters,

11 de junho de 2008 | 06h07

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconhece que a retórica empregada durante seu primeiro mandato o fez aparecer perante o mundo como um "homem de guerra". Em entrevista publicada nesta quarta-feira, 11, pelo diário The Times, Bush, que protagoniza atualmente uma viagem de despedida de seus aliados europeus, disse que seu principal objetivo nos sete meses que faltam para o fim de seu mandato é preparar o terreno diplomático para que seu sucessor resolva a questão do Irã   Veja também:  Bush considera 'todas as opções' para impasse nuclear iraniano EUA e UE estão dispostos a aumentar sanções contra o Irã   Bush mostrou-se arrependido com a divisão na comunidade internacional provocada pela guerra no Iraque, dizendo: "Acho que poderia ter usado um tom diferente, uma retórica diferente". Ele admitiu que o uso de frases como "podem vir" e "vivo ou morto" indicaram às pessoas "que eu não era, você sabe, um homem de paz".   Bush disse ao Times que quer "deixar uma série de estruturas que permitam ao novo presidente" lidar com questões como o programa nuclear iraniano e o estabelecimento de um Estado palestino. Ele afirmou que seu sucessor deve continuar as políticas atuais, depois de avaliar "o que vai funcionar e o que não vai funcionar com o Irã". Ele pediu ao mundo que trabalhe em conjunto e "mantenha o foco".   O político republicano diz ter sido "muito doloroso" colocar jovens norte-americanos em perigo, enviando-os ao front de guerra. Ele afirmou que vem tentando se reunir com todas as famílias que pode, pois se sente obrigado a "consolá-las na medida de suas possibilidades, e assegurar que essas vidas não foram perdidas em vão".   Bush assinala na entrevista que, no tempo que lhe resta à frente da Presidência americana, tentará chegar a acordos sobre diferentes assuntos, como o estabelecimento de um Estado palestino, para "deixar ao próximo presidente certas estruturas que facilitem sua tarefa".   Em relação à sugestão expressada recentemente por um ministro israelense, que afirmou que um ataque militar contra o Irã seria "inevitável", Bush afirma que "é preciso seguir trabalhando em conjunto, sem distração". "Os comentários do ministro devem ser interpretados no sentido de que é preciso seguir pressionando o Irã", afirmou. Bush assinala que o objetivo nos últimos meses de sua Presidência é deixar a seu sucessor uma estrutura de diplomacia internacional que permita resolver o conflito com o Irã.   Ao referir-se às promessas do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, de que renegociará ou bloqueará certos acordos internacionais de comércio, Bush adverte que existe preocupação no mundo "pelo protecionismo e nacionalismo econômico". "Os governantes reconhecem que é o momento de avançar nesse tema antes que (o protecionismo) termine ancorado nos sistemas políticos de nossos países respectivos", afirma o presidente.   Sobre sua recusa a ratificar o Protocolo de Kyoto, Bush assinala que há atualmente um reconhecimento de que os países ricos "têm que superar a economia baseada nos hidrocarbonetos", mas insiste que, sem a China e a Índia, não é viável fixar alvos vinculativos de redução de emissões de CO2.

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