Bush e Brown se reúnem para falar de Irã, Iraque e terrorismo

Encontro servirá para definir relação entre os dois aliados históricos durante novo governo britânico

Efe,

29 Julho 2007 | 23h52

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu neste domingo, 29, em Camp David, o novo primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, antigo crítico da guerra no Iraque. O encontro é encarado como o começo da definição de uma nova "relação especial" entre Londres e Washington.   Esta é a primeira viagem ao exterior de Brown desde que assumiu o governo britânico, em 27 de junho, e o primeiro encontro formal com o presidente dos EUA. O antecessor de Brown, Tony Blair, foi para Bush um firme aliado na chamada "guerra contra o terrorismo".   O primeiro-ministro do Reino Unido chegou à casa de campo presidencial em Camp David (Maryland), a 100 quilômetros de Washington, pouco depois das 19h (em Brasília). Bush já o esperava para uma série de reuniões e um jantar.   A Casa Branca divulgou que, entre os assuntos na pauta, estão o programa nuclear do Irã, o genocídio na região de Darfur, no Sudão, e o combate ao terrorismo internacional.   No entanto, o assunto mais espinhoso para ambos é a situação no Iraque, onde o Reino Unido mantém cerca de 5.500 soldados perto de Basra, no sul do país.   Embora Brown tenha dito que não pretende mudar a política do Reino Unido para o Iraque, alguns analistas esperam que o novo governo acelere a retirada de tropas. A administração Bush, por sua vez, enviou mais 30.000 soldados este ano. O presidente dos EUA insiste que tão cedo não haverá uma saída dos mais de 160.000 soldados americanos que estão no país árabe. A Casa Branca avisou que não espera anúncios concretos desta visita.   Mas a viagem de Brown servirá para determinar o futuro do que os dois países chamam de "relação especial". A aliança entre Londres e Washington é histórica e teve especial florescimento durante o mandato de Blair, cujos laços com Bush foram muito estreitos, tanto no terreno político quanto no pessoal.   O governo Brown afirmou que quer manter laços firmes com os EUA, mas também que essas relações não serão tão intensas como durante a etapa Blair.   Valores comuns   Ainda em Londres, Brown dissera que a relação "se fundamenta em nossos valores comuns de liberdade, oportunidade e dignidade do indivíduo".   "E devido aos valores que compartilhamos, a relação com os Estados Unidos não apenas sólida; ela pode se fortalecer nos próximos anos", acrescentou.   O porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, assegurou que o Reino Unido é "um parceiro firme na hora de abordar os desafios estratégicos que nossos dois países enfrentam, assim como na promoção da paz e da prosperidade no mundo".   Mas ao mesmo tempo, o ministro de Cooperação Internacional britânico, Douglas Alexander, declarou que os dois países devem adotar uma posição mais multilateral na política externa.   E o novo primeiro-ministro nomeou como secretário de Estado de Assuntos Exteriores o Lorde Mark Malloch Brown, ex-vice-secretário-geral das ONU. No ano passado, Brown criticou duramente a atitude dos EUA em relação à ONU.   Além disso, Brown preferiu se reunir antes com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o novo presidente francês, Nicolas Sarkozy, de que com Bush, o que causou preocupações em Washington.  

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