Bush e Merkel discutem possíveis novas sanções contra o Irã

Dois líderes abordaram o programa nuclear iraniano em encontro nos EUA

Efe

11 de novembro de 2007 | 02h23

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a chanceler alemã, Angela Merkel, discutiram,neste sábado, a possibilidade de impor novas sanções na ONU ao Irã caso o governo de Teerã não aceite suspender seu programa nuclear. Em entrevista coletiva conjunta no rancho de Bush em Crawford, no Texas, Merkel assinalou que os dois governantes concordam que o programa atômico iraniano representa uma "grave" ameaça.  A chanceler disse que se não houver avanços nas negociações para que o Irã interrompa suas atividades nucleares, será necessário "pensar em possíveis sanções futuras" nas Nações Unidas. No entanto, China e Rússia, dois dos cinco membros com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU, se opõem àquela que seria a terceira rodada de medidas punitivas contra o Irã, que reafirma queseu programa tem fins pacíficos.  Bush chegou a alertar que a disputa com o Irã poderia levar a uma terceira guerra mundial, e seu governo não descartou o uso da força para impedir que Teerã possua uma arma nuclear. No entanto, o chefe da Casa Branca evitou hoje comentar sobre a possibilidade de um conflito. "O que o regime iraniano deve entender é que continuaremos colaborando para resolver este problema de forma diplomática, o que significa que (os iranianos) continuarão isolados", disse o governante americano. Paquistão  Na entrevista coletiva, Bush também se referiu à situação do Paquistão, onde seu presidente, Pervez Musharraf, declarou há uma semana o estado de exceção.   O governante evitou criticar o general e lembrou que ele prometeu renunciar a seu cargo de chefe das forças armadas e convocar eleições parlamentares. "Ele declarou que vai tirar seu uniforme e que haverá eleições, o que são passos positivos", disse Bush.  A Casa Branca criticou o estado de exceção, mas assinalou que mesmo assim manterá a ajuda militar a seu aliado.    Bush destacou o papel do Paquistão no momento de combater a rede terrorista Al-Qaeda.  "Necessitamos de cooperação e um dos países dos quais necessitamos cooperação é o Paquistão", acrescentou.    Bush assinalou ainda que Musharraf "entende completamente o perigo da Al-Qaeda" e que cumpriu sua palavra ao agir contra seus membros. Além disso, mencionou a líder da oposição e ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, que passou a sexta-feira em prisão domiciliar no Paquistão, ao indicar que ela também entende o risco que a rede terrorista representa.   O governo de Musharraf anunciou hoje que suspenderá dentro de um mês o estado de exceção, durante o qual deteve oponentes políticos e membros do Poder Judiciário, além de censurar a imprensa.  "Acreditamos que a suspensão do decreto do estado de exceção facilitará o florescimento da democracia" no Paquistão, afirmou o chefe de Estado americano. Merkel não comentou sobre o Paquistão durante a entrevista coletiva, na qual manteve um discurso similar em geral ao de seu anfitrião, que fica a anos luz das divergências sobre o Iraque que o líder americano teve com o antecessor da chanceler, Gerhard Schröder. Para marcar a nova era nas relações, Bush recebeu Merkel em seu rancho de Crawford, que reserva como uma honra para os líderes que considera mais próximos. A alemãl chegou na última sexta-feira, acompanhada de seu esposo, Joaquim Sauer, e Bush os recebeu pessoalmente no heliporto com sua esposa, Laura, a bordo de uma caminhonete branca. Aquecimento global  A atmosfera de tranqüilidade foi mantida hoje, quando Bush e Merkel falaram em particular durante um passeio pelo rancho. Isso não impediu que ficasse clara a diferença entre ambos sobre um tema específico, a mudança climática, de grande importância para a líder alemã, que foi ministra do meio ambiente. "Este é um momento crucial para estabelecer a agenda para o regime que suceder Kioto", disse Merkel, em referência ao Protocolo da ONU que estabelece limites à emissão de agentes que provocam oefeito estufa. Por outro lado, Bush, que se negou a assinar esse tratado, destacou que a solução é desenvolver novas tecnologias para lidar com o problema.  "Mas sem arruinar nossas economias", concluiu.

Tudo o que sabemos sobre:
BushIrãMerkelarmas nucleares

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.