Bush festeja o 'povo escolhido' de Israel; árabes lamentam

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, disse na quinta-feira que os israelenses são um"povo escolhido" que poderá sempre contar com o apoionorte-americano contra inimigos como o Hamas e o Irã. Num dia em que os palestinos lembraram as casas e terrasperdidas com a criação em Israel, em 1948, Bush fez em Israelum discurso com muitas referências a Deus e alusões apenaspassageiras à criação de um Estado palestino. Após visitar a fortaleza de Massada, símbolo da resistênciados judeus contra a ocupação romana, Bush fez no Parlamento umdiscurso em que disse que a existência de "uma pátria para opovo escolhido" era "uma promessa de Deus". "Massada nunca cairá de novo, e a América sempre estará aolado de vocês", afirmou, qualificando a luta contra os gruposislâmicos Hamas, Hezbollah e Al Qaeda como "uma batalha entre obem e o mal". Segundo ele, os "laços do Livro" (a crença comum de judeuse cristãos nos textos bíblicos) promovem uma aliança"inquebrantável" entre Israel e os EUA. A respeito dos palestinos, metade dos quais foi levada aoexílio para dar lugar ao Estado judeu, Bush disse que, dentrode 60 anos, "o povo palestino terá a pátria com a qual tantosonhou e que tanto mereceu". Os termos usados por Bush no discurso chocaram ospalestinos que esperam dos EUA um papel de mediação. O Hamas,que rejeita as negociações, disse que o presidente falou comose fosse "um padre ou um rabino" e deu "um tapa na cara" dospalestinos que depositavam esperanças nele. Em protestos espalhados a propósito do aniversário deIsrael, palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza atirarampedras contra policiais e soldados israelenses, que reagiramcom gás lacrimogêneo e disparos para o alto. "Não seria hora de Israel responder ao apelo por uma pazjusta e abrangente, e que alcançasse a reconciliação históriaentre os dois povos sobre esta terra sagrada e torturada?",disse o presidente palestino, Mahmoud Abbas, num discurso. Para o analista político palestino Ali Jarbawi, a retóricade Bush prova que os EUA não são um mediador isento. "Ele nãoestá falando numa solução com dois Estados. Está falando numEstado de restos para os palestinos", afirmou. Os árabes são especialmente sensíveis à falta dereconhecimento internacional pelo drama de cerca de 700 milpalestinos que tiveram de deixar suas casas em 1948. Bush podeter agravado tal sensibilidade ao dizer que "os refugiados[judeus] chegaram aqui no deserto". Enquanto Bush discursava, três parlamentares árabeslevantaram um cartaz que dizia "Vamos vencer". Foram retiradosdo plenário. Em Ramallah, na Cisjordânia, pedestres pararam quando assirenes soaram por dois minutos em respeito à "Nakba", ou"catástrofe", como os palestinos se referem à criação deIsrael. Bush promoveu em novembro a retomada do processo de pazentre Israel e a Autoridade Palestina, mas há escassos avançosdesde então, e muitos duvidam que ele consiga cumprir sua metade mediar um acordo definitivo antes do final de seu mandato,em janeiro. Na sexta-feira, Bush, que tem sido muito aplaudido em todosos lugares por onde passa em Israel, embarca para a ArábiaSaudita. No fim de semana, encontra-se com Abbas e outroslíderes árabes no Egito. (Reportagem adicional de Jeffrey Heller e Brenda Gazzar, emJerusalém, Mohammed Assadi e Ali Sawafta, em Ramallah, HaithamTamimi, em Hebron, e Nidal al-Mughrabi, em Gaza)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.