Bush lança iniciativa de paz para o Oriente Médio

O presidente dos Estados Unidos,George W. Bush, lançou na segunda-feira uma iniciativa pelacriação do Estado palestino, com a qual espera que seu governo,a 14 meses do final, deixe um legado positivo no Oriente Médio. Bush iniciou três dias de intensa diplomacia com reuniõesseparadas, no Salão Oval da Casa Branca, com oprimeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidentepalestino, Mahmoud Abbas. Não há previsão de solução imediata para este conflito, quese arrasta há cerca de 50 anos. A secretária de Estado Condoleezza Rice, que aposta suacredibilidade nesta iniciativa, conseguiu reunir diplomatas demais de 40 países, muitos deles guiados pelo desejo de impedirque o Irã se torne uma potência dominante -- e nuclear -- noOriente Médio. Na terça-feira, os diplomatas -- inclusive de Síria eArábia Saudita -- rumam para a Academia Naval de Annapolis,perto de Washington, onde lançarão as negociações formais entreAbbas e Olmert -- dois políticos enfraquecidos junto a seuseleitorados. Bush disse a Olmert que espera um diálogo sério "para verse a paz é ou não possível", e agradeceu Abbas "por se empenharem implantar uma visão para um Estado palestino". "Os Estados Unidos não podem impor nossa visão, mas podemosajudar a facilitar", disse Bush a Abbas. Olmert disse que "desta vez [a negociação] é diferente",devido à "importantíssima" participação internacional naconferência. Após semanas de atritos, autoridades israelenses epalestinas se disseram próximas de um acordo sobre o documentoconjunto, a ser apresentado na conferência, delineando as metasdo processo de paz depois do evento desta semana, o que incluidefinir o futuro das fronteiras, de Jerusalém e dos refugiados,além de questões de segurança. "Temos muita esperança de sair desta conferência prontospara começar negociações sobre as questões do status final,[...] de modo que a segurança e a paz possam prevalecer", disseAbbas a Bush. De acordo com Sean McCormack, porta-voz do Departamento deEstado, ambas as partes estão "convergindo" para um documento. Mas as velhas tensões permanecem. Uma importante autoridadeisraelense afastou as chances de contatos diretos em Annapolis-- ou mesmo de um aperto de mãos -- entre Olmert e líderes dedois países importantes com os quais Israel não mantémrelações, Arábia Saudita e Síria. "Eles [líderes árabes] não farão isso até que recebam algoconcreto de Israel", afirmou essa fonte, sob anonimato. (Reportagem adicional de Adam Entous e Caren Bohan emWashington e Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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