Bush pede ação rápida para recuperar economia americana

Em seu último discurso do Estado da União, presidente muda foco de questões externas para medo de recessão

Reuters, AP, NYT,

29 de janeiro de 2008 | 00h08

Na sua última aparição frente ao Congresso, o presidente em último ano de mandato George W. Bush tentou passar confiança aos americanos sobre a economia em seu discurso do Estado da União desta segunda-feira, 28, dizendo que os Estados Unidos irão afastar o espectro de uma recessão se Congresso trabalhar para aprovar um pacote de estímulo.  Bush diz que estratégia funcionou no IraqueBush muda tema e foca na economiaSenado apresenta novo pacote de ajudaEntenda a crise nos EUA  "Para construir um futuro próspero, nós precisamos confiar às pessoas o seu próprio dinheiro, dando a elas o poder para fazer a economia crescer", disse o presidente, que está em seu último ano de mandato.  Ele reconheceu, no entanto, que a economia americana vive um momento de "incerteza". "No longo prazo, os americanos podem confiar em nosso crescimento econômico. Mas no curto prazo, todos podemos ver que o crescimento está em desaceleração." Ao contrário do que fez em outro anos, quando as guerras do Iraque, do Afeganistão e contra Al-Qaeda dominaram o discurso do Estado da União, Bush usou sua aparição frente ao Congresso nesta segunda-feira para tratar basicamente de assuntos domésticos. Além de pressionar o Congresso pela rápida aprovação do pacote de redução de impostos e de prometer responsabilidade fiscal por parte da administração, Bush foi taxativo ao pedir a conclusão da Rodada Doha ainda esse ano.  Segundo ele "hoje, nosso crescimento econômico depende amplamente de nossa habilidade em vender produtos, grãos e serviços americanos em todo o mundo", disse Bush. "Por isso, estamos trabalhando para quebrar as barreiras ao comércio e aos investimentos onde pudermos. Estamos trabalhando pelo sucesso da Rodada Doha, e precisamos conseguir um bom acordo este ano." Nesse sentido, Bush defendeu o aprofundamento das relações bilaterais com países parceiros dos EUA, citando nominalmente os projetos de acordo com o Peru, Panamá e Coréia do Sul, em tramitação no Congresso. Mas a maior preocupação do presidente pareceu ser com o principal aliado dos EUA na América do Sul, a Colômbia.  Ciente da resistência democrata na aprovação de um acordo de livre comércio com Bogotá, o presidente aproveitou para fazer uma referência velada ao líder venezuelano Hugo Chávez na América Latina: para Bush, se o Congresso rejeitar a proposta, os inimigos dos Estados Unidos no continente se fortalecerão.  Guerra Apesar da ênfase nas questões relacionadas aos desafios econômicos, Bush dedicou praticamente um terço do discurso à defesa da guerra contra o terror, que segundo ele está sendo vencida dos EUA.  Nesse terreno, o presidente destacou o grande "progresso" obtido pelas tropas americanas no Iraque, mas ressaltou que o "inimigo continua perigoso, e mais esforços devem ser feitos".  Numa referência clara aos críticos de sua estratégia para a guerra no país árabe, anunciada no seu discurso do ano passado, Bush assegurou que "as forças americanas e iraquianas atingiram resultados que poucos de nós poderiam imaginar há apenas um ano". No pronunciamento de 2007, o presidente americano causou polêmica ao afirmar que enviaria um novo contingente de soldados americanos para conter a onda de violência sectária que ameaçava jogar o país numa sangrenta guerra civil.  Apelo ao Congresso Diante de um Congresso dominado pela oposição democrata e em meio a uma acirrada disputa eleitoral, Bush pediu uma ação rápida do Parlamento para aprovar um pacote de estímulo econômico anunciado pela administração na semana passada.  O plano consiste basicamente na restituição de entre US$ 300 e US$ 600 em impostos para a maioria dos contribuintes americanos, assim como cortes de US$ 50 bilhões para as empresas. "Eu não acho que haverá recessão, e uma forma de garantir isso é o Congresso aprovar um robusto pacote de estímulo o mais rápido possível", disse Bush em uma entrevista concedida momentos antes do discurso. Sobre o Iraque, Bush disse que "alguns podem negar que a estratégia está funcionando, mas entre os terroristas não há dúvidas".  Para analistas, o discurso do presidente refletiu um desejo de "dar o último 'sprint'" em seus período na presidência, e Bush deixou claro que ele não aceitará facilmente ser chamado de "pato manco" - o apelido que os americanos usam para descrever presidente fracos em fim de mandato. Nesse sentido, ele foi ao mesmo tempo desafiador e conciliatório em relação ao Congresso. Bush pediu que os parlamentares o apóiem num esforço de mostrar aos americanos que "os republicanos e democratas podem competir por votos e cooperar por resultados ao mesmo tempo".

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