Bush pede liberdade de expressão antes da abertura dos Jogos

Presidente dos EUA diz que sociedades que possuem liberdade de idéias tendem a ser mais prósperas e pacíficas

Efe,

08 de agosto de 2008 | 07h51

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, destacou nesta sexta-feira, 8, a necessidade de liberdade de expressão e religiosa em Pequim, no mesmo dia em que a capital chinesa é palco da abertura dos Jogos Olímpicos aos quais ele assistirá. Em discurso pronunciado na abertura da nova Embaixada dos EUA em Pequim, o chefe de Estado americano destacou que Pequim e Washington devem continuar dialogando, e que nessa conversa os dois países serão "honestos na crença que todo o mundo deve ter liberdade de dizer o que pensa e rezar o que quiser".   Veja também:  Leia mais notícias sobre as Olimpíadas de Pequim   "As sociedades nas quais se permite a liberdade de expressão de idéias tendem a ser as mais prósperas e pacíficas", disse Bush, em clara alusão ao governo chinês, criticado por grupos pró-direitos humanos devido à perseguição a dissidentes e ao rígido controle estatal das religiões.   No discurso, Bush se mostrou menos crítico que no pronunciamento feito na quinta-feira em Bangcoc (Tailândia), onde manifestou "profunda preocupação" com a situação dos direitos humanos na China e condenou a "tirania" de Mianmar, país que tem em Pequim um de seus poucos aliados.   Em vez disso, o presidente americano afirmou em sua primeira atividade oficial em Pequim que China e EUA "construíram uma forte relação", e elogiou o país por "ter aberto sua economia e liberado o espírito empreendedor de seu povo".   "Os EUA continuarão apoiando a China no caminho em direção a uma economia livre", destacou o presidente americano no discurso, no qual lembrou a cooperação de Washington e Pequim em assuntos como a desnuclearização da Coréia do Norte ou a investigação médica.   Bush chegou na quinta-feira à noite a Pequim para assistir nesta sexta à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, ato ao qual comparecem chefes de Estado, governo e membros de famílias reais de cem países.   O presidente dos EUA destacou no discurso na embaixada que sua assistência - criticada por alguns defensores dos direitos humanos que pediam o boicote à inauguração - "é uma honra". "Desejo poder ver os atletas", acrescentou.   Ele também ressaltou os fortes laços históricos entre China e EUA, lembrando, por exemplo, que o primeiro navio americano chegou ao país asiático um ano depois da independência dos Estados Unidos, e que chineses e americanos lutaram lado a lado contra os invasores Japoneses.   A questão dos direitos humanos está muito presentes na agenda de Bush, que, no domingo, assistirá a uma missa na capital chinesa, mas a viagem também tem um forte componente esportivo.   Além da cerimônia de abertura, o presidente americano assistirá, neste fim de semana, à partida de basquete entre China e Estados Unidos, um dos duelos mais esperados pelos torcedores pequineses.   A situação dos direitos humanos na China já ganhou protagonismo na recente reunião em Washington de Bush com vários dissidentes chineses, entre eles a independentista uigur Rabiya Kadeer (que foi indicada há dois anos ao Nobel da Paz), um encontro que despertou a irritação de Pequim.   A China, centrada estes dias na segurança durante os Jogos Olímpicos e na recepção de centenas de milhares de visitantes, decidiu adotar uma postura moderada perante as palavras e ações de Bush, mas na quinta-feira o Ministério de Assuntos Exteriores chinês comentou as declarações do presidente americano em Bangcoc.   "Nas disputas entre EUA e China em matéria de direitos humanos e assuntos religiosos, sempre defendemos o diálogo e as trocas baseadas na igualdade e no respeito mútuo", disse sobre a questão o porta-voz de turno da Chancelaria, Qin Gang. Ele acrescentou, como indicou a linha oficial em outras ocasiões, que os cidadãos chineses "desfrutam de liberdade de crenças com regra à lei".   Na inauguração da Embaixada em Pequim também estiveram presentes Henry Kissinger, chave no restabelecimento de relações entre China e EUA nos anos 70, e o ex-presidente George Bush, pai do atual chefe de Estado americano.   Bush pai, que nos anos 70 foi representante dos EUA em Pequim antes da abertura de embaixadas, lembrou com nostalgia as mudanças que a cidade chinesa sofreu desde aquela época, e brincou dizendo o quanto tentou, sem êxito, aprender o mandarim com a esposa, Barbara.

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