Bush pede mais ações da África na crise do Zimbábue

'Que tipo de eleição é essa, se você não mostra o desejo do povo?', indagou o presidente americano

Reuters,

17 de abril de 2008 | 21h23

As nações africanas devem falar abertamente e ajudar em um plano para a crise no Zimbábue após o impasse eleitoral e a falta de alimentos, que está se tornando crônica, afirmou o presidente americano George W. Bush nesta quinta-feira, 17. O líder americano levantou dúvidas sobre a recente eleição porque Harare ainda não divulgou os resultados do pleito, e pediu que as Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA) tenham papéis mais ativos na resolução da crise. Veja também:'Ninguém acredita que Mugabe venceu as eleições', diz BrownJustiça nega divulgação de resultado eleitoral no Zimbábue "Que tipo de eleição é essa se você não mostra o desejo do povo?", indagou Bush, após um encontro com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que concordou com as declarações do chefe de Estado americano. O voto deve ser visto "como justo no interesse da democracia, não só no Zimbábue, mas na reputação da democracia na África e no resto do mundo", afirmou o premiê.  A África do Sul enfrenta fortes críticas por não ajudar o bastante na resolução da crise no país vizinho e Washington vem pressionando o país. "Já é hora da África se adiantar", disse a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. "Onde está a preocupação da União Africana e dos vizinhos do Zimbábue sobre o que acontece no país?"  Condoleezza disse que o longo tempo em que Robert Mugabe está no poder é uma questão interna do Zimbábue, mas que nos últimos anos seu governo tem sido uma "abominação". "Eu sei do papel dele (Mugabe) na libertação do país, mas os últimos anos têm sido uma verdadeira abominação. Era um país que costumava alimentar seus vizinhos e agora não consegue alimentar sua população. Pelas nossas contas, os números de envio de ajuda de mantimentos estão crescendo dramaticamente", completou. Antes da eleição, os Estados unidos já haviam imposto sanções financeiras e turísticas para cerca de 170 pessoas ligadas a Mugabe, que é acusado de violação de direitos humanos e de sérios confrontos com a oposição do Zimbábue. O presidente está no poder desde a independência da Inglaterra, em 1980. Condoleezza declarou ainda que os Estados Unidos também estão muito preocupados com as acusações do governo de traição contra o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, acrescentando que o governo deve divulgar rapidamente os resultados da eleição de março. "Eles (as pessoas) têm de saber os resultados e é necessário haver uma transferência de poder pacífica". "Quanto mais eles segurarem os resultados, mais suspeitas irão surgir de que alguma coisa está sendo articulada e planejada pelo partido do governo", concluiu.

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