Bush reduz tropas, mas diz que EUA não abandonam o Iraque

Retirada anunciada pelo presidente reduzirá número de tropas para os mesmos níveis registrados em janeiro

Agências internacionais,

13 de setembro de 2007 | 22h22

Defendendo uma guerra impopular, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou em discurso nesta quinta-feira, 13, uma redução gradual das tropas americanas no Iraque, e disse que "quanto mais sucesso tivermos, mais tropas poderão voltar".  Veja Também Leia o discurso na íntegra (em inglês)Especial: a ocupação do IraqueDemocratas prometem mudar rumo da guerraBush elogia xeque assassinado em Anbar  Ainda assim, ele argumentou que a insurgência que ameaça o futuro do Iraque ainda é um perigo para a segurança nacional dos Estados Unidos, e rejeitou os pedidos para que a guerra chegue ao fim. Com o término da redução anunciada nesta quinta-feira, em meados do ano que vem, o número de soldados americanos no Iraque voltará aos níveis registrados em janeiro (130 mil). Naquele mês, o presidente anunciou uma ampliação no contingente militar americano com o objetivo de acelerar a estabilização do país.  "O princípio que guia minhas decisões sobre o número de soldados é: retorno condicionado ao sucesso", disse o presidente no discurso, que foi televisionado em cadeia nacional.  No pronunciamento, Bush também anunciou que cerca de 5,7 mil soldados americanos voltarão aos EUA até o Natal, e quatro brigadas - ao menos 21,5 mil homens - retornarão até julho. Paralelamente, um número indeterminado de forças de apoio também deixarão o fronte. Atualmente, cerca de 168 mil soldados americanos encontram-se no Iraque, o contingente mais alto desde o início da guerra.  A decisão reflete a aprovação do presidente em relação às recomendações feitas pelo comandante americano em Bagdá, David Petraeus, que ao longo desta semana participou de sabatinas frente a comissões da Câmara dos Representantes (deputados) e do Senado defendendo o retorno do número de soldados aos níveis de janeiro. Como já era esperado, o discurso do presidente americano não trouxe grandes mudanças para os rumos da guerra. Embora com pedidos de mais tempo para estabilizar o país, as palavras de Bush devem apenas colocar mais lenha no debate travado atualmente no Congresso. Para a oposição democrata, a proposta do presidente é modesta. Escolhido como porta-voz do partido, o militar retirado e senador Jack Reed disse que "uma vez mais, o presidente falhou tanto em apresentar um plano capaz de por um fim à guerra quanto em dar razões convincentes para continuarmos com ela".  Reed acrescentou que os democratas irão trabalhar com afinco para "mudar nosso envolvimento militar no Iraque". Redução prevista De fato, as reduções anunciadas por Bush nesta quinta-feira representam apenas um pequeno adiantamento na agenda prevista originalmente para o fim do reforço militar anunciado em janeiro pelo presidente. O objetivo do plano era dar condições no fronte para uma tentativa de reconciliação política entre os diferente grupos étnicos e religiosos do Iraque.  Ainda assim, o presidente admitiu que o engajamento americano no Iraque se estenderá para além de sua presidência, o que irá tornar necessário mais apoio militar, financeiro e político de Washington. Segundo Bush, os líderes iraquianos pedem por um fortalecimento no relacionamento com os Estados Unidos. "Estamos prontos para começar a construir esse relacionamento de uma maneira que nossos interesses sejam protegidos e que menos soldados sejam necessários na região." No discurso, o presidente disse ainda que o cronograma de retiradas e a manutenção de parte das tropas no fronte são comprometimentos com os quais tanto apoiadores como oponentes da guerra podem concordar. "A estratégia que eu descrevi esta noite torna possível que pessoas em lados opostos neste difícil debate estejam juntos pela primeira vez em anos." A afirmação, no entanto, parece altamente improvável, dada a reação das lideranças democrata que pedem uma saída programada do país. "A população americana há muito tempo perdeu sua fé na liderança do presidente porque sua retórica nunca condiz com a realidade", disse a presidente da Câmara dos Representantes (deputados), Nancy Pelosi.  "A escolha é entre um plano democrata para um retorno responsável (das tropas) e o plano do presidente por uma guerra sem fim no Iraque." Frustração  Sobre a frustração dos americanos com a guerra, o presidente defendeu suas políticas como um caminho para barrar o avanço da Al-Qaeda no Iraque, classificada por ele como um perigo para a segurança nacional americana. "Alguns dizem que os avanços que estamos conseguindo no Iraque estão chegando muito tarde. Eles estão errados. Nunca é tarde para conseguir vitórias contra a Al-Qaeda. Nunca é tarde para avançar em direção à liberdade. E nunca é tarde para apoiar nossas tropas em uma luta que elas podem vencer." "Qualquer que seja o partido ao qual você pertence, qualquer que seja sua posição no Iraque, nós devemos ser capazes de concordar que os Estados Unidos têm um interesse vital em prevenir o caos e fornecer esperanças ao Oriente Médio", continuou o presidente.  Ainda assim, o presidente admitiu que o governo americano falhou em atingir os objetivos para a reconciliação política e promoção da segurança. "Em meus encontros com os líderes iraquianos", disse ele, "eu deixei claro que eles devem atingir esses objetivos." Xeque assassinado Embora tenha sido focado na defesa dos avanços na segurança conseguidos nos últimos meses na até recentemente violenta província de Anbar, o discurso acontece após um duro revés para a estratégia americana de aproximação de líderes sunitas para combater a Al-Qaeda no Iraque. Isso porque um importante xeque desta seita muçulmana que havia se aliado aos Estados Unidos na província foi morto nesta quinta-feira, possivelmente por membros do grupo extremistas.  Abdul Sattar Abu Risha, conhecido por criar o grupo "Conselho de Salvação de Anbar", esteve com Bush durante a recente viagem do presidente à província. A suposta estabilização da região vinha sendo alardeada pelo governo americano como uma prova do sucesso da nova estratégia dos Estados Unidos estabelecida a partir de janeiro.

Tudo o que sabemos sobre:
Bushretiradaguerra do Iraque

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.