Bush tenta evitar que procurador deponha sobre espiã da CIA

Presidente invoca privilégio para que Mukasey não fale sobre o vazamento da identidade de Valeria Plame

Agência Estado e Associated Press,

16 de julho de 2008 | 15h01

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, invocou o privilégio executivo para evitar que o procurador-geral Michael Mukasey tenha que cooperar por conta de um mandado emitido por um painel da Câmara dos Representantes. O caso envolve o vazamento da identidade da ex-agente da CIA Valerie Plame, que teve a identidade revelada pela imprensa em 2003.   Veja também:   Por segurança, liberdade de imprensa é menor após 11/09   Entre os textos pedidos pelo deputado democrata Henry Waxman, presidente da Comissão de Controle e Reforma, estão conversas do vice-presidente Dick Cheney com membros do FBI. Também foram solicitadas as notas sobre o discurso do Estado da União, de 2003. Nessa ocasião, Bush afirmou que a invasão do Iraque ocorreria em parte pois o líder iraquiano Saddam Hussein preparava urânio para fabricar uma arma nuclear. A informação revelou-se falsa posteriormente.   Segundo o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto, Bush invocou o privilégio na terça-feira. Vários dos textos que seriam alvos da investigação, segundo Mukasey, envolvem conversas entre Bush e seus assessores - sendo portanto comunicações presidenciais protegidas por esse privilégio.   O democratas do Congresso querem precisar as responsabilidades - se houver alguma - de Bush, Cheney e seus auxiliares no vazamento da identidade da ex-agente Valerie Plame. O funcionário do Departamento de Estado Richard Armitage vazou a identidade de Plame como agente da CIA ao colunista Robert Novak. O jornalista consultou o ex-assessor presidencial Karl Rove para confirmar a informação, divulgada em um artigo de 2003.   Nessa época o marido de Valerie Plame, o ex-embaixador Joseph Wilson, vinha criticando a marcha de Bush para a guerra no Iraque. O então chefe-de-gabinete de Cheney, Lewis "Scooter" Libby, também estava envolvido no vazamento e foi condenado por perjúrio, obstrução de justiça e por mentir ao FBI. Em julho, Bush comutou a sentença de Libby, que não precisou passar nenhum tempo preso. Em 2003, Libby disse ao FBI que era impossível que Cheney o tivesse ordenado a vazar a identidade da agente a repórteres.

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