Bush veta lei que limitaria tortura em interrogatórios

Técnica de afogamento é mantida pelo presidente dos EUA para 'manter a América segura'

Associated Press

08 de março de 2008 | 15h30

O presidente George W. Bush disse neste sábado, 8, que vetou uma legislação em tramitação no Congresso dos Estados Unidos que baniria a CIA (Agência Central de Inteligência, em inglês) de usar métodos de interrogatório como o "waterboarding" (que simula um afogamento) em suspeitos de terrorismo. A razão principal dada por Bush é que a lei iria impossibilitar práticas que têm prevenido ataques terroristas.   "O projeto de lei que o Congresso me enviou iria acabar com uma das ferramentas mais valiosas da guerra contra o terror", disse o presidente no seu programa semanal de rádio transmitido nesTe sábado. "Por isso vetei." O projeto de lei incluía regras gerais para serviços de inteligência, e foi aprovado pelo equivalente à Câmara dos Deputados dos EUA em dezembro de 2007 e pelo Senado no último mês. "Essa não é a hora para o Congresso abandonar práticas que se provaram eficientes na tarefa de manter a América segura", disse Bush.   A lei iria limitar os interrogadores da CIA a 19 técnicas que são permitidas no manual de campo do exército. Esse manual baniu, em 2006, o uso de técnicas como o "waterboarding" ou outras de depravação sensorial em prisioneiros que não cooperassem. Bush disse que a CIA deve manter o uso de "procedimentos especializados de interrogatório" que o serviço militar não precisa usar. Para o presidente, "enquanto os militares interrogam combatentes capturados em áreas de conflito, os profissionais das áreas de inteligência lidam com terroristas perigosos que foram treinados para resistir a técnicas como as do manual do Exército".   "Nós criamos procedimentos alternativos para questionar os operantes mais perigosos da al-Qaeda, particularmente aqueles que podem ter conhecimento de ataques planejados para nosso território", disse Bush. "Se nós acabarmos com esse programa e restringirmos os métodos usados pela CIA àqueles descritos no manual militar, poderíamos perder informações vitais de terroristas de alto escalão da al-Qaeda, e isso poderia custar vidas americanas."   A prática do waterboarding consiste em amarrar a pessoa, colocar um capuz em sua cabeça e jogar água, para causar uma sensação de afogamento. O waterboarding já foi condenado por nações e organizações de direitos humanos de todo o mundo.   Quem apoiava o projeto de lei no Congresso diz que ela aprimoraria as habilidades práticas de coleta de informações críticas e melhoraria a posição moral do país perante o resto do mundo. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, disse que o Congresso irá trabalhar na próxima semana para anular o veto de Bush. "Em uma análise final, nossa habilidade de liderar o mundo dependerá não somente de nossa vontade militar, mas de nossa autoridade moral," disse Nancy, democrata da Califórnia.   Com base na margem com que foi aprovada em cada uma das casas, será difícil para o Congresso controlado pelos democratas anular o veto. Para a anulação ocorrer, é necessário uma maioria de dois terços dos votos em cada casa (na câmara o resultado foi de 222-119 e no Senado, de 51-45). O líder dos democratas no Senado, Harry Reid, de Nevada, disse que eles "continuarão a se esforçar para reverter os danos causados pelo presidente Bush em relação a nossa imagem diante do mundo".

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