Bush veta projeto que garante cobertura médica a crianças

Em choque com o Congresso, presidente corta proposta que incluiria 4 milhões de jovens no sistema de saúde

Associated Press e Agência Estado,

03 de outubro de 2007 | 14h43

O presidente americano, George W. Bush, vetou nesta quarta-feira, 3, um projeto de lei bipartidário que iria expandir dramaticamente a cobertura médica para as crianças americanas, num confronto com o Congresso dos EUA. Este foi apenas o quarto veto da administração de Bush, e que alguns integrantes do próprio partido do presidente, o Republicano, temem poderá trazer graves conseqüências para as pretensões do partido nas eleições do ano que vem. O Senado aprovou o projeto com votos suficientes para derrubar o veto, mas a margem na Câmara dos Representantes foi um pouco menor do que o número exigido. O veto é um jogada de alto risco para Bush, jogando-o não apenas contra a oposição democrata que controla as duas Casas do Congresso desde janeiro, mas também contra membros de seu próprio partido e o público em geral. A Casa Branca tentou despertar a menor atenção possível, com o presidente exercendo seu direito de veto atrás de portas fechadas sem qualquer declaração ou cobertura da imprensa. O Programa Estadual de Segurança da Saúde Infantil é um esforço conjunto de Estados e do governo federal para subsidiar cobertura médica para 6.6 milhões de pessoas, a maioria crianças, de famílias cujos rendimentos não as qualificam para o programa de cobertura médica para os pobres, mas que não ganham o suficiente para pagar assistência médica particular. Os democratas aprovaram com significativo apoio republicano o projeto de lei que acrescenta US$ 35 bilhões ao programa para permitir que outros 4 milhões de crianças recebam a assistência. O gasto seria financiado com o aumento do imposto sobre cigarros, de 61 centavos para um dólar por maço. O presidente já havia adiantado que vetaria o projeto democrata, argumentando que ele era custoso demais, que extrapolou seu objetivo inicial de ajudar os pobres, e que permitiria que pessoas que agora pagam assistência médica privada passassem para a cobertura do governo. Ele quer um aumento de apenas US$ 5 bilhões em gastos. Uma pesquisa Washington Post/ABC News mostrou que mais de sete em cada 10 americanos apóiam o aumento de US$ 35 bilhões. Bush argumenta que o plano do congresso seria um passo na direção da socialização da medicina, ao expandir o programa para famílias de classe média. Democratas contestam, destacando que o objetivo é cobrir mais de um milhão de crianças que não têm assistência médica e que o projeto de lei oferece incentivos financeiros para estados para darem, primeiro, cobertura a famílias carentes. Das mais de 43 milhões de pessoas nos EUA que não têm assistência médica pública ou privada, mais de 6 milhões têm menos de 18 anos. Isto significa mais de 9% de todas as crianças americanas. Levou seis anos até que Bush usasse pela primeira vez seu poder de veto, até que bloqueou no ano passado a expansão de pesquisas federais com células-tronco. Em maio último, ele vetou um projeto orçamentário que forçaria a retirada das tropas americanas do Iraque. Em junho, ele vetou outro projeto aliviando restrições a pesquisas sobre células-tronco financiadas pelo governo federal.

Tudo o que sabemos sobre:
EUABushcriançassaúde

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.