Bush vincula guerra do Iraque a luta contra Al-Qaeda

Presidente insiste que conflito impopular é parte de uma guerra global contra o grupo de Osama bin Laden

Caren Bohan, REUTERS

24 Julho 2007 | 18h26

Defendendo sua estratégia numa guerra cada vez mais impopular, o presidente dos EUA, George W. Bush, insistiu nesta terça-feira, 24, na tentativa de vincular a guerra do Iraque ao confronto global contra a Al-Qaeda. O discurso de Bush foi feito na base aérea de Charleston, Carolina do Sul, cidade onde na véspera ocorrera um debate entre pré-candidatos democratas à Presidência, repleto de apelos pela retirada das tropas norte-americanas do Iraque. Bush citou documentos recém-liberados para reagir às acusações de que a guerra do Iraque distraiu os EUA da guerra ao terrorismo como um todo. "A Al-Qaeda no Iraque é um grupo financiado por terroristas estrangeiros, guiado em grande parte por terroristas estrangeiros e leal a um líder terrorista estrangeiro: Osama bin Laden", disse Bush a uma platéia onde predominavam militares e seus parentes. "Eles sabem que são a Al-Qaeda, o povo iraquiano sabe que são a Al-Qaeda, gente de todo o mundo islâmico sabe que são a Al-Qaeda", insistiu, referindo-se aos atos terroristas cometidos pela organização no Iraque. Ciente de que está difícil impor a guerra do Iraque à opinião pública, Bush opta por dar ênfase à Al-Qaeda, o grupo responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001. Mas críticos o acusam de exagerar nas conexões entre a Al-Qaeda e militantes no Iraque para justificar a presença militar dos EUA no país, deixando em segundo plano o conflito sectário. "A afirmação do presidente de que a guerra no Iraque está nos protegendo da Al-Qaeda é tão desgovernada e perigosa quanto as conclusões que nos guiaram ao Iraque antes de tudo", disse o líder da maioria no Senado, o democrata Harry Reid. Em setembro, o governo deve receber um relatório sobre a situação no Iraque, o que democratas e mesmo alguns republicanos esperam que sirva como estopim para o início da retirada. Bush declarou que "a fusão entre a Al-Qaeda e seus afiliados iraquianos é uma aliança de assassinos", e reiterou seu argumento de que uma retirada precipitada permitiria que esses militantes usassem o Iraque como refúgio. "A luta poderia mergulhar toda a região no caos, e em breve enfrentaríamos um Oriente Médio dominado por extremistas islâmicos que iriam buscar armas nucleares e usar seu controle do petróleo para uma chantagem econômica ou para financiar novos ataques à nossa nação", declarou Bush. Na semana passada, um relatório de inteligência alertou que os EUA estão sob ameaça de um novo ataque da Al-Qaeda, que estaria se enraizando em áreas tribais do Paquistão - algo que democratas apontaram como sinal de que o governo errou ao se preocupar com a guerra do Iraque. Pesquisa Washington Post/ABC News mostrou que 80% dos norte-americanos consideram Bush inflexível demais na guerra do Iraque - aumento de 12 pontos desde dezembro - e que a maioria prefere que o Congresso tome as decisões sobre quando retirar as forças.

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