Bush visita região americana atingida por enchentes

Presidente dos EUA vai ao Meio-Oeste americano; área sofre com as piores inundações em 15 anos

Reuters,

19 de junho de 2008 | 16h50

O saldo de US$ 4 bilhões do fundo para desastres do governo federal dos Estados Unidos deve ser "mais do que o suficiente" para enfrentar as enchentes ocorridas no Meio-Oeste, afirmou a Casa Branca nesta quinta-feira, 19, dia em que o presidente George W. Bush percorreu a região, atingida pelos piores alagamentos em 15 anos. O montante total dos danos deixados por essa calamidade que se desenrola em câmera lenta aumentava enquanto a água continua a passar por cima ou através de diques do rio Mississippi.   Veja também: Cheia do Mississipi já ameaça cidades de Illinois e Missouri O custo das enchentes em todo o cinturão do milho norte-americano deve ser sentido pelos consumidores do mundo todo na forma de preços mais altos para os grãos e a carne, previram analistas. "Sei que muitos fazendeiros e pecuaristas estão aflitos neste momento", afirmou Bush, em um centro de emergência de Cedar Rapids, uma das cidades mais atingidas pelos alagamentos desta semana.   "Este é um momento difícil para mim", disse, antes de sair de helicóptero para inspecionar as áreas atingidas ao lado do governador de Iowa, Chet Culver. Durante sua visita a Cedar Rapids com Bush, o chefe da Agência Federal de Administração de Emergências (Fema), David Paulison, disse que os US$ 4 bilhões existentes atualmente no Fundo para Desastres da Fema seriam "mais do que o suficiente" para ajudar a região. O diretor para o Orçamento da Casa Branca, Jim Nussle, um ex-congressista de Iowa, afirmou que Bush não pretendia anunciar nenhum envio suplementar de ajuda neste momento, mas que observava o debate na Câmara dos Representantes dos EUA sobre um fundo de guerra que incluía US$ 2,65 bilhões para o enfrentamento de desastres. Em um sinal da importância política dos Estados do Meio-Oeste, o candidato do Partido Republicano na corrida presidencial, John McCain, visitou Columbus Junction, uma cidade localizada perto de Iowa City, à qual Bush compareceria. No começo desta semana, o candidato do Partido Democrata à Presidência norte-americana, senador Barack Obama, visitou o Illinois, onde ajudou um grupo que reforçava um dique com sacos de areia.   Aumento nos prejuízos   Culver disse prever que receberia 2 bilhões de dólares em fundos do governo federal. No final das contas, os danos provocados pelas enchentes podem superar aqueles deixados pelos alagamentos de 1993, cujos prejuízos somaram US$ 20 bilhões e mataram 48 pessoas. Se isso de fato ocorrer, a região talvez precise de mais ajuda do governo federal, afirmaram moradores dali. "Talvez seja conveniente que o governo considere gastar US$ 5 ou 6 bilhões a menos com as guerras no exterior a fim de investir esse dinheiro em esforços para ajudar as pessoas daqui", disse Dave Spitaleri, proprietário do Railsplitter Inn, em Hull, às margens do rio Mississippi. Foto: AP Os fundos do governo federal devem garantir principalmente o conserto ou a substituição de estradas e linhas de trem, além do reparo de empresas e casas inundadas pelas águas quando se tratar de instalações sem seguro.   A Union Pacific, maior ferrovia dos EUA, disse nesta quinta que havia reaberto a linha leste-oeste que atravessa Iowa, permitindo um volume limitado de tráfego nela.     Algumas eclusas do rio Mississippi voltaram a funcionar, mas a maior parte dessa importante hidrovia de 386 quilômetros continua fechada, impedindo o tráfego de um grande número de barcaças.  A ausência de chuva durante dois dias permitiu que alguns rios e riachos retrocedessem em Iowa, Illinois, Wisconsin e Indiana, revelando uma parte do desastre multibilionário provocado pelas águas. Prevê-se que tempestades atinjam alguns pontos isolados da região afetada, mas nada semelhante às enxurradas que fizeram cair 0,3 metro de água sobre áreas do Meio-Oeste no começo deste mês. No total, 22 mortes foram atribuídas aos alagamentos e às tempestades violentas desde o final de maio. Outras 40 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas.

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