Cães buscam vítimas em cidade atingida por tornado nos EUA

Primeiro, eles encontraram o seu ursinho de pelúcia azul escuro. Então, parentes desesperados procurando pelo bebê Skyular Logsdon viram a sua camiseta vermelha e calças, rasgadas e encharcadas pela chuva, em cima de um poste telefônico.

KEVIN MUR, REUTERS

24 de maio de 2011 | 17h55

O pequeno menino não é visto desde a noite de domingo quando um tornado gigantesco passou pelo centro da cidade de Joplin, no Estado norte-americano do Missouri, matando ao menos 118 pessoas e deixando várias outras desaparecidas.

Enquanto as equipes de busca aproveitavam a trégua no tempo ruim da terça-feira para procurar por sobreviventes sob montanhas de destroços, os parentes de Skyular levantavam com cuidado vigas de madeira e metal retorcido no local que era a casa deles.

Eles rezaram pedindo sinais de vida do pequeno garoto que tinha 15 meses de vida. Os seus pais, feridos, estão hospitalizados. "Nós procuramos em cada necrotério, em cada hospital, em cada lugar que a gente conseguiu pensar", disse Rusty Burton, avô de Skyular. "Eu procurei em cada canto dessa casa."

A descoberta das roupas do menino no poste telefônico a quase 180 metros de distância foi arrasadora para os parentes.

"Está tudo rasgado. Eu não quero imaginar que ele estava vestindo isso", disse a parente Pamela Tate, chorando enquanto pegava a pequena roupa encharcada. "Tudo o que eu quero é que ele esteja vivo. Isto é o que eu quero."

A busca por Skyular é apenas uma entre várias na cidade do sudoeste do Missouri com 50 mil moradores que tem 1.500 pessoas ainda desaparecidas.

Autoridades disseram que estão trabalhando contra as previsões de mais mau tempo e poucas chances de sobrevivência para encontrar alguém que ainda está preso depois que o tornado passou, arrancando árvores, destruindo prédios e transformando carros em pedaços de metal.

Autoridades do governo, que decretou estado de emergência, disseram que o número de mortos é de 118.

"Seguimos esperançosos de encontrar mais gente", afirmou o chefe do corpo de bombeiros de Joplin, Mitch Randles, que disse que houve vários relatos de gritos vindo debaixo dos prédios que desabaram. "Queremos aproveitar todas as oportunidades que temos para resgatar quem está nos destroços e sobreviveu até agora."

O governo disse que os desaparecidos podem incluir várias pessoas que estão vivas, mas não conseguiram avisar aos seus parentes onde estão.

Para Kenny McKeel, a busca pela sua família terminou. Horas depois que o tornado chegou, McKeel encontrou o corpo do seu pai e da sua madrasta no gramado, com a casa deles destruída atrás. Os vizinhos, um casal com três crianças, também morreram, ele disse.

Na terça-feira, ele resgatou a vara de pescar do seu pai dos destroços enquanto tentava conter as lágrimas. "Eu vejo isso, significa demais para mim", disse McKeel. "E isso está me matando."

O tornado que atingiu Joplin foi o mais mortal nos Estados Unidos desde 1947, quando um tornado em Woodland, Oklahoma, matou 181 pessoas.

(Reportagem adicional de Jeff Mason, Steve Holland e Carey Gillam)

Tudo o que sabemos sobre:
EUATORNADOCAES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.