Cafetina que ajudou derrubar governador de NY chega ao Brasil

Deportada dos Estados Unidos, Andréia Schwartz desembarcou em Cumbica e segue para Vila Velha (ES)

Jones Rossi e Filipe Araujo,

22 de março de 2008 | 12h19

A cafetina brasileira Andréia Schwartz, de 33 anos, chegou na manhã deste sábado, 22, ao Brasil, deportada dos Estados Unidos, onde cumpriu 18 meses de prisão por exploração da prostituição, posse ilegal de drogas e lavagem de dinheiro. A brasileira, que desembarcou no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, Grande São Paulo, foi ainda apontada como testemunha-chave na investigação de outra rede de prostituição. Seus depoimentos às autoridades americanas ajudaram a derrubar na semana retrasada o então governador de Nova York, Eliot Spitzer.  Veja também:Brasileira envolvida no caso Spitzer continua presa nos EUABrasileira é testemunha-chave no caso do governador de NYVeja imagens da chegada de Andréia   Família vive drama à espera da Andréia Segundo sua família, que vive em Vila Velha, no Espírito Santo, Andréia telefonou assim que chegou a São Paulo, mas depois não deu mais notícias. Após despistar a imprensa na área de desembarque internacional, Andréia apareceu no embarque doméstico, de onde seguiria para o Rio de Janeiro, para um vôo para Vitória, e depois para Vilha Velha, cidade vizinha à capital capixaba. Lá, ela é esperada pela mãe, Elza, e pelo filho T. de 14 anos. Roger Gouveia e Carlos Alberto Silva, dois amigos da capixaba, a esperavam no aeroporto paulista. O astro de futebol Pelé viajou no mesmo vôo que Andréia, o 951 da American Airlines, mas disse ter dormido durante a viagem e por isso não viu a brasileira. No desembarque dos passageiros, o editor de fotografia do tablóide americano The New York Post, o mineiro Luiz Ribeiro, mostrou à imprensa um vídeo de Andréia que ele fez no avião com sua câmera digital. Acordo A chegada de Andréia estava prevista inicialmente para o dia 15, e ao longo da semana sua viagem foi confirmada e desmentida várias vezes. Segundo o cônsul brasileiro em Nova York, José Alfredo Graça Lima - que visitou Andréia na terça-feira, quando ela ainda estava detida -, os adiamentos ocorreram porque o processo de deportação teria sido ampliado.  Em telefonemas dados por Andréia a amigos na semana passada, ela afirmou que ainda estava retida para averiguação nas investigações sobre redes de prostituição nos Estados Unidos. De acordo com The New York Post, uma dessas redes é a Emperors VIP Club, que oferecia prostitutas de luxo - que cobravam entre US$ 1 mil até US$ 5,5 mil por hora. Andréia, que já tinha trabalhado para a rede, esclareceu o método de pagamento utilizado por Spitzer para remunerar a Emperors VIP Club, comprovando o envolvimento do político democrata com a rede. Segundo autoridades americanas, o ex-governador chegou a a gastar US$ 80 mil durante oito meses com os serviços da rede. Diante da possibilidade de ser condenada à prisão perpétua por tráfico de drogas, a brasileira fez um acordo com promotores americanos. Além de colaborar com a investigação do Emperors VIP Club, Andréia teve de abrir mão de seu apartamento perto do Central Park - avaliado em US$ 1,2 milhão -, onde ela mantinha sua própria agência de prostituição, e de cerca de US$ 30 mil que tinha em sua conta bancária.  A capixaba, no entanto, pôde voltar ao Brasil trazendo cerca de US$ 150 mil.

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