Califórnia começa a celebrar casamentos gays

Suprema Corte declarou inconstitucionais as leis que proibiam o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo

Efe e AP,

16 de junho de 2008 | 19h41

O Estado americano da Califórnia começou nesta segunda-feira, 16, a celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, um avanço para alguns e um atentado contra os fundamentos da família para outros, que ainda não tiveram sua última palavra no polêmico tema. A decisão da Suprema Corte da Califórnia, que há um mês declarou inconstitucionais as leis estaduais que proíbem o casamento entre homossexuais, entra oficialmente em vigor às 17h01 desta segunda (21h01 de Brasília).   Veja também: Igreja anglicana celebra a primeira união de sacerdotes gays   Como à essa hora, as repartições públicas já estão fechadas, a enxurrada de casamentos gays começará na terça, embora alguns estabelecimentos tenham prometido estender seu horário de funcionamento para atender aos casais mais impacientes.    As americanas Del Martin, de 87 anos, e Phyllis Lyon, de 84, foram o primeiro casal a se casar - o matrimônio foi feito pelo prefeito de São Francisco, Gavin Newson.   A previsão é de que na terça, antes mesmo do começo do expediente, vários gays e defensores dos direitos dos homossexuais se manifestem em frente a inúmeros cartórios para comemorar um feito que muitos deles consideram histórico.   Em algumas dessas repartições, haverá até juízes prontos para celebrar casamentos "expressos" no ato da entrega dos documentos exigidos.   A sentença do Supremo da Califórnia, que tornou o estado o segundo dos Estados Unidos a autorizar casamentos entre homossexuais - depois de Massachusetts -, representou um balde de água fria para várias organizações conservadoras e religiosas, para as quais os juízes do tribunal extrapolaram suas funções.   "Felizmente, apesar de a Suprema Corte ter ignorado a condição constitucional sobre restrição judicial, o tribunal de apelações pode restaurar o respeito pela lei e evitar o caos legal dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo", afirmou Randy Thomasson, presidente da organização sem fins lucrativos Campaign for Children and Families.   A entidade é uma das que apóiam o pedido do Liberty Counsel, organização especializada em litígios que defende a "santidade da vida humana e a família tradicional", para que a autorização judicial aos casamentos gays seja revogada.   No recurso que apresentou, o Liberty Counsel pede que nenhuma licença para uniões entre pessoas do mesmo sexo seja expedida até que se modifique a definição de casamento contida na Constituição estadual, algo que, argumenta a organização, cabe aos legisladores, e não aos juízes.   A entidade pede ainda que a liberação do casamento gay seja decidida por meio de uma votação, conforme determina a ata estadual de proteção do casamento.   "Só o Parlamento da Califórnia e os eleitores, por meio de uma iniciativa popular, têm autoridade constitucional para fazer novas leis", destacou Thomasson. Com a medida em vigor, o caso fica nas mãos do tribunal de apelação.   "Este assunto está longe de acabar. Não vamos nos render. O povo dará a última palavra sobre o casamento", diz, por sua vez, o site do Liberty Counsel.   Protesto    Já a organização Protect Marriage, que se autodefine como "pró-família", recolheu mais de um milhão de assinaturas para levar à votação a definição de casamento na Califórnia, com o objetivo de mantê-lo como uma união exclusiva "entre um homem e uma mulher."   Se pelo menos 694.354 das assinaturas forem de eleitores do Estado, a validade do casamento gay terá de ser submetida a um plebiscito, votação que aconteceria junto com as eleições presidenciais de novembro.   As últimas pesquisas sobre o tema mostraram uma mudança na opinião pública californiana, que, pela primeira vez em três décadas, se declarou a favor dos casamentos entre homossexuais, embora não de forma unânime.   Uma sondagem publicada no fim de maio pelo instituto Field Poll indicou que 51% dos eleitores vêem com bons olhos o matrimônio gay, contra 42% que são contra.

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