Califórnia inaugura hotel pró cannabis em ano decisivo para legalizar a droga

Hotel no centro de Los Angeles é o único nos EUA que permite que os hóspedes fumem maconha

22 de abril de 2010 | 17h34

Efe

 

LOS ANGELES- Os  ativistas a favor da legalização da maconha na Califórnia inauguraram um hotel em Los Angeles onde os consumidores podem fumar cannabis sem se esconder, em mais um passo rumo à normalização do uso da substância.

 

No final do ano a Califórnia pode se transformar no primeiro estado dos Estados Unidos a autorizar a maconha para consumidores maiores de 21 anos e assim equiparar legalmente esta droga ao álcool e ao tabaco.

 

A iniciativa levou Dennis Perón, um dos defensores da campanha pela legalização da cannabis, a restaurar um hotel no centro de Los Angeles e transformá-lo no único dos EUA tolerante com o uso da maconha.

 

A reabertura do estabelecimento aconteceu na noite de terça-feira, 20, coincidindo com a realização do dia mundial da maconha, um dia de festa para os consumidores da substância, que nos próximos meses buscarão convencer os eleitores a legalizar o hábito.

 

Em março as autoridades californianas informaram que a iniciativa, chamada "Cannabis Act", tinha obtido as assinaturas suficientes para ser votada em plebiscito, coincidindo com as eleições para governador do dia 2 de novembro.

 

A iniciativa quer estabelecer um limite legal de posse da droga de 30 gramas por pessoa e permitir o cultivo privado das plantas sempre que a parcela não supere os 2,3 metros quadrados.

 

Os defensores da proposta apoiam seu discurso nos benefícios terapêuticos da cannabis, ao argumentar que a planta tem nível de dependência inferior ao tabaco e ao álcool e, sobretudo, a legalização seria uma importante fonte de renda para os maltratados cofres públicos do estado.

 

Estima-se que a Califórnia arrecadou mais de US$ 1,3 bilhão ao ano em impostos derivados da comercialização desta substância.

 

Uma enquete realizada há um ano pelo Oakland EMC Research indicava que 54% dos californianos era propícios a autorizar a maconha, uma porcentagem que serviria para validar o "Cannabis Act", mas que não garante a vitória dessa proposta no pleito.

 

A oposição à legalização da maconha é muito maior no contexto geral do país, onde uma pesquisa publicada esta semana indicava que 55% dos cidadãos rejeitam transformar a maconha em um produto de consumo em massa, uma postura que tem especial aceitação entre as mulheres e os eleitores republicanos.

 

No caso da "Cannabis Act" sair adiante, a iniciativa entraria em conflito com as leis federais, que proíbem a venda de maconha.

 

Atualmente, a Califórnia é um dos 14 estados dos Estados Unidos que admitem a maconha para uso médico, uma lista à qual poderia se unir a Dakota do Sul em breve. Outros dois estados do oeste pretendem debater a legalização dessa droga.

 

Em Washington há uma campanha para submeter a votação em novembro o uso livre da cannabis em adultos e em Nevada há uma proposta para permitir a venda legal de maconha em estabelecimentos autorizados, embora ela não fosse entrar em vigor antes de 2012.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.