Câmara dos EUA aprova fim da tortura em interrogatórios

Medida considera ilegal o método de afogamento usado pela CIA e ainda pode ser vetada pelo presidente Bush

Agências internacionais,

14 de dezembro de 2007 | 07h56

Desafiando a ameaça de veto da Casa Branca, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na quinta-feira, 13, uma lei que considera ilegal o uso da métodos cruéis de interrogatório, como o uso do afogamento que o serviço de inteligência americano (CIA) utilizou contra os suspeitos de terrorismo. Com amplo apoio, a casa liderada pelos democratas aprovou a medida que exige dos agentes da CIA deverão obedecer as leis que banem o uso da tortura, de acordo com as Convenções de Genebra para o tratamento de prisioneiros de guerra. A lei ainda será encaminhada ao Senado e pode ser vetada pelo presidente George W. Bush. A medida surge quase uma semana após as denúncias de que fitas com interrogatórios de dois líderes da Al-Qaeda foram destruídas, que exibiam as técnicas usadas, inclusive o afogamento. Muitos países, advogados americanos e organizações de direitos humanos acusaram os EUA pelo uso da tortura contra os suspeitos desde o episódio do 11 de setembro. O presidente Bush afirmou que os EUA não torturam, mas a administração não revela quais métodos foram aprovados para o uso da CIA. Apostadores das técnicas severas de interrogatório afirmam que eles são necessários para descobrir informações vitais dos combatentes inimigos. As gravações foram destruídas apesar das ordens de juízes para que o governo preservasse registros relacionados aos programas de interrogatórios.  Denúncias Nesta semana, o ex-agente da CIA John Kiriakou revelou ao jornal Washington Post detalhes das técnicas de tortura utilizadas e afirmou que os meios usados pelo serviço de inteligência americana "provavelmente salvaram vidas". Zayn Abidin Muhammed Hussein abu Zubaida, o primeiro membro do alto-escalão da Al-Qaeda capiturado depois do 11 de setembro, forneceu informações importantes em menos de um minuto após ser submetido a técnicas de afogamento, dando detalhes de planos de ataque, segundo John Kiriakou, que trabalhou para a CIA em interrogatórios no Paquistão. Abu Zubaida foi um dos detidos que tiveram os interrogatórios gravados e posteriormente destruídos. A CIA confirmou que destruiu pelo menos duas fitas de vídeo com o interrogatório de suspeitos de terrorismo. De acordo com a agência de inteligência americana, os registros foram destruídos para proteger a identidade de agentes e porque eles não tinham mais validade para as investigações. Porém, o material pode ter sido eliminado por exibir imagens de métodos severos de interrogatório.  O afogamento durou 35 segundos - até o suspeito desmaiar - e de acordo com Kiriakou, Abu Zubaida revelou no dia seguinte tudo o que era necessário. "Ele disse que Alá veio até ele em sua cela e pediu que ele cooperasse, porque tornaria as coisas mais fáceis para os seus irmãos", relatou.

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