Câmara dos EUA pedirá explicações sobre vídeos da CIA

Autoridades do órgão de espionagem poderão ter que explicar a destruição de fitas de interrogatórios

Efe,

20 de dezembro de 2007 | 00h44

O conflito entre o Congresso e o governo dos Estados Unidos, causado pela destruição de vídeos da CIA que mostravam supostos terroristas sendo interrogados, ganhou nesta quarta-feira, 19, um novo elemento com a ameaça de um comitê legislativo exigir explicações do órgão de espionagem americano. O Comitê de Inteligência da Câmara de Representantes anunciou a possibilidade de ordenar o comparecimento das autoridades da CIA para explicar a destruição dos vídeos. Segundo o jornal The New York Times, as imagens mostravam os interrogatórios a que foram submetidos em 2002 Abu Zubaydah e Abd al-Rahim al-Nashiri, na base militar de Guantánamo, em Cuba. Os dois eram suspeitos de pertencer à rede terrorista Al-Qaeda e estavam sob custódia da Agência Central de Inteligência. A rede de televisão CNN informou que os métodos usados nesses interrogatórios incluíam a asfixia simulada ("waterboarding"), entre outros. Fontes legislativas explicaram que a possível convocação de dirigentes da CIA seria uma rejeição da solicitação da Casa Branca de esperar a investigação do governo. Um juiz federal pediu nesta quarta-feira o comparecimento de advogados do Departamento de Justiça, com o objetivo de determinar se a destruição dos vídeos violou uma disposição que ordenava preservar provas sobre os detidos. O juiz Henry Kennedy emitiu a ordem depois de um grupo de prisioneiros de Guantánamo pedir a sua intervenção. O grupo acusa a Casa Branca de bloquear uma investigação externa. "É claro que o governo só quer que os lobos guardem o galinheiro", disse em uma declaração o advogado David Remes. New York Times A Casa Branca pediu ao jornal The New York Times uma correção de um artigo publicado nesta quarta-feira, que acusa o Governo de ter um papel maior do que reconhece na destruição dos vídeos. Segundo o jornal, pelo menos quatro altos assessores jurídicos da Casa Branca conversaram com responsáveis da CIA entre 2003 e 2005 sobre a possibilidade de destruir o material. "Os relatos indicam que a participação de funcionários da Casa Branca nas discussões sobre o assunto em novembro de 2005 foi mais ampla do que os funcionários do governo Bush reconhecem", destacou o jornal. Em comunicado, a Casa Branca afirmou que a conclusão é "perniciosa e penosa" e por isso exigiu "formalmente" uma correção. Mas insistiu em não fazer comentários sobre o assunto enquanto o Departamento de Justiça e a CIA investigam o caso. No entanto, Dana Perino, porta-voz da Casa Branca, defendeu a reação do governo e garantiu que não está tentando minimizar o papel desempenhado por seus funcionários. "Não descrevemos, nem para realçar nem para minimizar, o papel ou as deliberações de funcionários da Casa Branca nesse assunto", disse Perino em comunicado. Ela afirmou que Bush só soube dos vídeos quando foi informado pelo diretor da CIA, Michael Hayden, no início de dezembro. A base naval de Guantánamo abriga pouco mais de 300 prisioneiros capturados na guerra contra o terrorismo.

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