Canadá diz que acusados de complô contra trem receberam apoio da Al Qaeda

A polícia canadense afirmou nesta segunda-feira que prendeu dois homens acusados de conspirar para descarrilar um trem de passageiros na região de Toronto, no Canadá, em uma operação que, segundo policiais, foi apoiada por elementos da Al-Qaeda no Irã.

EUAN ROCHA, Reuters

22 de abril de 2013 | 21h17

"Se esse complô tivesse sido realizado teria resultado na morte ou grave ferimento de pessoas inocentes", disse a autoridade da Polícia Real Montada canadense James Malizia a jornalistas em Toronto.

A polícia afirmou que deteve Chiheb Esseghaier, de 30 anos, de Montreal, e Raed Jaser, de 35, de Toronto, em conexão com o complô.

Segundo autoridades, o plano não estava ligado aos atentados contra a Maratona de Boston, nos Estados Unidos, que mataram na semana passada três pessoas e feriram mais de 200.

Nenhum deles é cidadão canadense, mas a polícia não revelou a nacionalidade da dupla.

Um porta-voz do Instituto National de Pesquisa Científica, perto de Montreal, confirmou que Esseghaier era um estudante de doutorado na instituição e que ele havia sido preso.

A diretora de comunicação da escola, Julie Martineau, disse que Esseghaier chegou ao local em 2010 e estava na metade do curso. "Ele está fazendo um pós-doutorado na área de energia e ciências dos materiais", disse ela à Reuters.

A audiência em que será definida uma fiança ocorrerá em Toronto na terça-feira de manhã.

Autoridades norte-americanas disseram que o ataque teria como alvo uma linha de trem entre Nova York e Toronto, uma rota que percorre o Vale do Hudson, em Nova York, e entra no Canadá perto das Cataratas do Niágara.

A polícia canadense disse apenas que o plano envolvia um trem da empresa VIA na área de Toronto.

Malizia declarou que a polícia acredita que os dois tinham capacidade e intenção de realizar o ataque, mas não havia nenhuma ameaça iminente para o público, os passageiros, ou a infraestrutura.

As prisões aconteceram no momento em que a população de Boston, nos Estados unidos, ainda se recupera das explosões da semana passada.

As autoridades canadenses ligaram os dois suspeitos com facções da Al Qaeda no Irã, para a surpresa de alguns especialistas em segurança.

"Os indivíduos estavam recebendo o apoio de elementos da Al Qaeda localizados no Irã", disse Malizia.

O Irã abrigou algumas figuras sêniores da Al Qaeda sob a forma de prisão domiciliar após os ataques de 11 de setembro de 2001, mas tem havido pouca ou nenhuma evidência até agora de tentativas conjuntas de cometer violência contra o Ocidente.

(Reportagem de Mark Hosenball, Louise Egan, David Ljunggren e Alastair Sharp)

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