Canadá diz que vazamento de informações foi injusto para Obama

O primeiro ministro canadense, StephenHarper, disse na quarta-feira que o vazamento de informaçõessobre a posição de Barack Obama quanto ao Tratado NorteAmericano de Livre Comércio (Nafta) foi "ostensivamenteinjusto" para a campanha do democrata. Harper disse que o governo está abrindo uma "investigaçãode segurança interna" para descobrir quem foi o responsávelpelo vazamento de informações que sugeriram que a equipe dacampanha de Obama havia dito (ao governo canadense) que nãoprestasse atenção à retórica protecionista do pré-candidatoquanto ao Nafta. "Este vazamento de informação é inaceitável e pode muitobem ser ilegal", disse o primeiro ministro ao Parlamento. "Não é útil. Não é do interesse do governo do Canadá e ojeito que o vazamento ocorreu foi ostensivamente injusto para acampanha do senador Obama". A rival de Obama nas eleições primárias dos EstadosUnidos, Hillary Clinton, utilizou as informações canadensespara demonstrar que Obama não é confiável em assuntos depolítica externa, e que ele havia dito uma coisa em público eoutra em particular. A polêmica começou quando Obama e Clinton disseram em umdebate na semana passada que ameaçariam sair do Nafta --formado pelos EUA, México e Canadá -- caso as normas relativasa trabalho e meio ambiente não sejam redefinidas. Pouco depois, foi publicado um memorando escrito por umdiplomata canadense após um encontro em 8 de fevereiro, emChicago, com o assessor econômico de Obama, Austan Goolsbee. "Ele (Goolsbee) foi franco ao dizer que a campanha dasprimárias estava necessariamente focada no setor doméstico,particularmente no meio-oeste, e que muito da retórica quepoderia ser percebida como protecionista reflete mais umamanobra política do que uma medida efetiva", dizia o memorando. Na tarde de segunda-feira, na véspera das primáriasDemocratas no Texas e em Ohio, o governo canadense emitiu umadeclaração formal lamentando qualquer inferência de que Obamateria opiniões diferentes em público e em particular. O líder da oposição Stephane Dion acusou o governocanadense (conservador) de interferir na corrida presidencialnorte-americana. O ministro do comércio internacional, David Emerson, dissena quarta-feira que não acreditava que Obama iria simplesmenteabandonar o Nafta. "Você não abre simplesmente o Nafta e faz o que quer fazer(...) Há três partes no Nafta. É preciso ouvir o que as outraspessoas querem fazer", disse. (Reportagem de Randall Palmer)

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