Canadá realiza terceira eleição geral em quatro anos

Premiê criticado pela demora em agir contra a crise pode não conseguir ampla maioria no Parlamento

Agência Estado e Associated Press,

14 de outubro de 2008 | 09h32

O Canadá realiza nesta terça-feira, 14, a terceira eleição geral em quatro anos com uma campanha dominada pela crise econômica mundial. O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, deve manter o cargo segundo pesquisas e analistas. Porém o líder dos Conservadores pode ter dificuldades para ampliar seu poder. Harper tem uma vantagem pequena no Parlamento desde a eleição de 2006 e precisa da oposição para aprovar leis. Ele pediu aos eleitores que apoiassem sua sigla, para conseguir as 155 cadeiras necessárias para chegar à maioria na Casa de 308 vagas.   Porém Harper, o primeiro líder mundial importante a ser testado desde o início da crise global de crédito, tem sido criticado por sua demora em agir diante da tensão econômica. Isso, entre outros erros, pode custar ao primeiro-ministro algumas cadeiras preciosas no Parlamento, mantendo a dificuldade do governo para aprovar qualquer legislação.   O Canadá tem 23,4 milhões de eleitores registrados, para uma população de pouco mais de 33 milhões. Harper e seus rivais, os Liberais, realizaram atos em vários pontos do país, na segunda-feira, no último dia de campanha. "Ele provavelmente está em uma posição em que pode manter o poder, mas não será capaz de impor sua agenda", avaliou Robert Bothwell, diretor do programa de relações internacionais da Universidade de Toronto.   No começo da campanha, as pesquisas mostravam Harper com boas chances de ganhar a maioria almejada. Porém o primeiro-ministro se complicou ao declarar em um debate que os canadenses não estão preocupados com seus empregos ou suas hipotecas. Dias depois, disse que as ações estavam baratas. Na seqüência da declaração, a bolsa de valores canadense teve sua pior semana em quase 70 anos.   Desde então, Harper disse que sabia da preocupação dos canadenses com a crise. Também apontou bons números na sua administração, como a queda do desemprego. O primeiro-ministro insiste que a tensão financeira não deve prejudicar o Canadá.   Os opositores tentam apontar o atual líder como um direitista, próximo do estilo do Partido Republicano dos Estados Unidos, inclusive ligando-o ao impopular presidente norte-americano, George W. Bush. "Só porque alguém é um Conservador não quer dizer que ele é George W. Bush", reagiu Harper em Quebec, no sábado. O rival de Harper, Stephane Dion, do Partido Liberal, é um ex-professor da província do Quebec, onde se fala francês. A dificuldade de Dion para se comunicar em inglês tornou-se um dos temas da campanha.   Um projeto da campanha oposicionista é favorecer a energia menos poluente. A situação argumenta que isso aumentaria os custos da energia. Os Liberais passaram historicamente mais tempo no poder no Canadá - estavam no comando em mais de 65 dos últimos 100 anos. Uma pesquisa Harris-Decima realizada entre quinta-feira e domingo dava aos Conservadores 34% nessa eleição, 25% aos Liberais e 19% aos Novos Democratas. A sondagem tem margem de erro de 2,7 pontos percentuais.

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