Canadá rejeita pressão por preso de Guantánamo

O Canadá disse na quarta-feira que nãovai pressionar os EUA pela repatriação do jovem canadense presoem Guantánamo, apesar da divulgação de um vídeo em que eleaparecia chorando e chamando pela mãe. As imagens levaram políticos e articulistas a pedirem que ogoverno local interceda por Omar Khadr, 21 anos, acusado dematar um socorrista norte-americano no Afeganistão em julho de2002, quando tinha 15 anos. Em fevereiro de 2003, agentes canadenses passaram quatrodias interrogando o rapaz. Um vídeo da época mostra ointerrogatório e também momentos em que Khadr murmura e chora,chamando pela mãe. O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, disse queKhadr enfrenta acusações graves e deve ser levado a julgamento. "Nossa posição não mudou nem vai mudar. Fazer uma mudançade última hora porque a equipe jurídica dele está buscando umaestratégia agressiva na mídia não é do interesse do devidoprocesso. Estamos fazendo o que é certo", disse o porta-voz deHarper, Kory Teneycke. O vídeo foi divulgado pelos advogados de Khadr, após umalonga disputa judicial. Críticos do tratamento dado ao jovem dizem que ele foi umacriança transformada em soldado, e que por isso precisa dereabilitação em vez de punição. Os EUA mantêm cerca de 265 presos em Guantánamo, sobcondições muito criticadas por entidades de direitos humanos. Em entrevista a uma TV local, a mãe dele, Maha Elsamnah,disse que está sofrendo, mas resiste por saber que "há centenasde outros que sofrem como Omar". Ela admitiu que seu filhoprecisaria de um programa de reabilitação, pois "alguém precisaconvencê-lo de que ele ainda merece viver". Khadr diz ser vítimas de constantes ameaças sexuais naprisão de Guantánamo. No vídeo, ele aparece com macacão laranjade prisioneiro, sendo interrogado. Em certo momento, deixadosozinho, enfia a cabeça entre as mãos e puxa os cabelos emevidente desespero. O jovem foi levado ao Afeganistão por seu pai, Ahmed SaidKhadr, suposto financiador da Al Qaeda e amigo íntimo de Osamabin Laden. Khadr foi morto em combate contra tropaspaquistanesas em 2003. (Por David Ljunggren)

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