Imprensa canadense/AP
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Canadense se declara culpado de crimes de terrorismo em Guantánamo

Omar Khadr lançou granada quando era menor, matando sargento no Afeganistão em 2002

Reuters,

25 de outubro de 2010 | 19h40

GUANTÁNAMO, CUBA- O canadense detido Omar Khadr se declarou culpado nesta segunda-feira, 25, por cinco crimes de terrorismo dos quais é acusado no tribunal de crimes de guerra na base naval de Guantánamo.

 

Como parte de um acordo que permitiria reduzir sua sentença de prisão, Khadr, que foi preso no Afeganistão aos 15 anos e hoje tem 24, confessou que conspirou com a Al-Qaeda e matou um soldado americano com uma granada.

 

Os termos do acordo para o preso não foram imediatamente revelados, mas os advogados haviam imposto primeiramente um limite de oito anos de prisão a sua condenação.

 

O governo dos Estados Unidos aceitou o pedido de Khadr de voltar ao Canadá em um ano para cumprir o resto de sua sentença no país, de acordo com advogados. No entanto, a última palavra sobre seu retorno é do governo canadense.

 

Um júri composto por sete militares do Exército dos EUA se reunirá na corte amanhã para escutar depoimentos sobre o impacto dos atos do acusado e logo formularão sua sentença.

 

Se sua condenação for diferente do estabelecido no acordo de declaração de culpa, Khadr cumprirá a que for mais curta.

 

O acordo deve colocar fim a um julgamento muito criticado, que converteu os EUA no primeiro país do mundo desde a II Guerra Mundial a processar uma pessoa em um tribunal de crimes de guerra por atos cometidos quando era menor.

 

Khadr, que poderia ter sido condenado a prisão perpétua durante o julgamento, admitiu que lançou a granada que matou o sargento de primeira classe Christopher Speer durante durante um confronto armado em 2002, em um complexo da Al-Qaeda próximo a cidade afegã de Khost.

 

O detido também confessou ter conspirado com a organização terrorista para executar ataques e que fabricou e colocou bombas para atingir as forças americanas no Afeganistão.

 

Khadr é o segundo homem a se declarar culpado na corte durante o governo Obama, cujos esforços para fechar a prisão de Guantánamo foram bloqueados pelo Congresso.

 

Ele é o quinto preso condenado desde que os Estados Unidos criou os tribunais para julgar os capturados por crimes de terrorismo desde os ataques de 11 de setembro de 2001.

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