Candidatos presidenciais buscam o voto hispânico

Entre os pontos que atraem esse eleitorado está a reforma nas leis imigratórias

Efe

22 Julho 2007 | 21h59

Os candidatos a presidente dos Estados Unidos se aproximaram neste domingo, 22, da comunidade hispânica, que, segundo os analistas, será a de maior crescimento no país, em busca de apoio para as eleições presidenciais do próximo ano. Os pré-candidatos democratas Hillary Clinton e Barack Obama, participaram hoje da conferência anual do Conselho Nacional da Raça, uma das maiores organizações hispânicas do país. A reunião anual, realizada este ano em Miami Beach (Flórida), também convidou os três principais candidatos republicanos à Presidência, que recusaram a participação no evento. Diante de uma platéia de mil pessoas, Hillary participou de uma sessão de perguntas e respostas, nas quais a reforma migratória foi um dos temas principais. A senadora de Nova York indicou que não descarta que elementos da reforma sejam aprovados, um a um, em diferentes leis, dentre as quais citou o projeto chamado "Dream Act". Essa medida, incluída como uma emenda no projeto de lei de fundos para a Defesa, pendente de aprovação no Senado, pretende facilitar o acesso aos estudos universitários dos imigrantes ilegais trazidos aos Estados Unidos quando eram crianças. Hillary ressaltou que é favorável a uma lei de reforma migratória que proporcione uma via para a legalização dos cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país. A senadora é uma das favoritas para conseguir a candidatura democrata nas eleições presidenciais de 2008 e, falou dentro do fórum "Latinas Brunch". Esta tarde, o senador Barack Obama, principal rival de Clinton na preferência dos democratas, falou no "Fórum do Povo", que também faz parte da conferência. A busca do voto latino O Partido Republicano será representado no evento pelo governador da Flórida, Charlie Crist; pelo prefeito de Miami, Manny Díaz, e pelos congressistas Lincoln Díaz-Balart e Ileana Ros-Lehtinen. A presença de políticos dos dois partidos faz parte da estratégia da organização para estimular a participação dos latinos, a minoria com maior crescimento nos Estados Unidos, na vida política do país. A presidente da organização, Janet Murguia, disse em entrevista coletiva concedida esta semana, em Miami, que "chegou a hora da comunidade se envolver de maneira mais profunda na participação cidadã (...) para mostrar a força política nas próximas eleições". "A comunidade hispânica marcará uma grande diferença nas eleições do próximo ano, em particular no estado da Flórida", disse Murguia. A conferência também inclui oficinas para a mobilização dos eleitores, e um esforço para a naturalização e registro dos hispânicos com direito ao voto. O crescimento da comunidade hispânica nos Estados Unidos, que, segundo cálculos, é composta por 44,3 milhões de pessoas, fez com que os candidatos às eleições presidenciais do próximo ano dessem mais importância a este setor da população.Além do comparecimento de Clinton e Obama, a grande maioria dos demais aspirantes faz, ou tenta fazer, versões em espanhol de suas mensagens de campanha, com menor ou maior sucesso. O pré-candidato republicano Mitt Romney, um dos que recusaram o convite da conferência, participou hoje de um café da manhã de oração na convenção anual da Assembléia Nacional Hispana Republicana, em Washington. Romney, ex-governador de Massachusetts, destacou os valores familiares e religiosos da comunidade latina."Se quisermos nomear pessoas que trabalham duro, procuram uma educação, amam Deus e suas famílias e valorizam a liberdade, esses são os hispânicos americanos", destacou o político. Segundo Romney, a política migratória dos EUA deveria abrir as portas para pessoas "que chegam com este tipo de valores". Na semana passada, o ex-governador havia adotado uma posição mais dura com relação à imigração ilegal, e chegou a lembrar que, durante seu mandato à frente de Massachusetts, deu poderes à Polícia do estado para que zelasse pelo cumprimento das leis migratórias.

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