Caos reina em cidade rebelde da Geórgia depois de batalha

Apenas o rumor daartilharia distante quebrava o silêncio que envolvia Tskhinvalineste domingo, mas os habitantes da principal cidade da regiãorebelde da Ossétia do Sul se perguntavam quanto tempo iriadurar a calma relativa. Em meio aos escombros dos prédios destruídos, os residentesse aventuraram pela primeira vez para fora dos porões nodomingo, depois de três dias de intensos combates. Muitos ficaram chocados ao verem as ruas cobertas deescombros e vidros quebrados, além de corpos espalhados nochão. Alguns residentes disseram que muitas pessoas continuamsoterradas pelos escombros de concreto e metal. "É terrível. Não sabemos o que está acontecendo", disse umasenhora de idade a um repórter da Reuters que entrou na cidadecom as tropas russas. "Nunca vi nada igual em toda a minhavida". Milhares de civis fugiram durante as primeiras horas dabatalha e muitos prédios de apartamentos, com as paredescravejadas de tiros, pareciam desertos. Com a maior parte da infra-estrutura local em ruínas, osresidentes tentavam achar água e comida, enquanto o fogo deartilharia vibrava nos arredores da cidade. Violeta Kukoyeva, que acompanhava um parente mais velho,disse ter passado os três últimos dias escondida em um abrigosubterrâneo. "Não tínhamos nada para comer. Só um pouco de pão, um poucode água", disse. Os médicos de um hospital local transferiram pacientes paraum porão fracamente iluminado depois que as explosões abriramgrandes buracos nos andares superiores. Eles disseram não tersuprimentos médicos ou água para tratar dos 200 feridos. "Não temos nada para alimentá-los. Damos o pouco pão quetemos aos mais velhos. Eles precisam mais", disse a doutoraValentina Kutukhova. Moscou disse que dois mil civis haviam morrido e milharesestavam desabrigados em uma "catástrofe humanitária" na Ossétiado Sul. Os números não puderam ser verificados. A Geórgia propôs um cessar-fogo e no domingo disse terretirado suas tropas da capital separatista. Mas os habitanteslocais disseram que as tropas da Geórgia continuavam ao redorda cidade. Algumas pessoas disseram haver atiradores escondidosnas ruínas. Um repórter da Reuters viu os corpos de seis soldados daGeórgia deixados sobre pilhas de escombros perto de um tanque. "Tudo está destruído, nada funciona, nem mesmo onecrotério", disse a médica de um hospital local, com a voztrêmula. "Os combates continuam. Não sobrou mais nada".

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