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Capitão dos EUA detido por piratas somalis chega ao Quênia

Coreia do Sul envia embarcação militar para auxiliar na patrulha da costa para combater os crimes no Índico

Reuters e Associated Press,

16 de abril de 2009 | 10h15

O capitão de um cargueiro norte-americano que passou cinco dias em poder de piratas no oceano Índico chegou nesta quinta-feira, 16, ao Quênia a bordo de um destróier norte-americano, enquanto uma embarcação militar sul-coreana se juntou à força internacional que patrulha a costa da Somália para combater os criminosos dos mares.

O capitão Richard Philips foi resgatado no domingo, quando atiradores da Marinha a bordo do navio USS Bainbridge mataram três piratas que mantinham o refém a bordo de um bote salva-vidas, depois de fugirem do navio de bandeira norte-americana Maersk Alabama.  Na quinta-feira, forças dos EUA faziam intensa vigilância sobre o navio depois da chegada ao porto queniano de Mombaça. A polícia local disse que um quarto pirata, preso na operação, deve ser transferido para os EUA, onde será julgado.

Ayub Gitonga, chefe da polícia portuária de Mombaça, disse ter visitado Phillips, de 53 anos, a bordo do Bainbridge. Ele contou que o marinheiro, pai de dois filhos, usava macacão e quepe e tinha aspecto jovial. Depois do ataque dos piratas ao Maersk Alabama, a tripulação reagiu e retomou o controle da embarcação. Aparentemente, Phillips se voluntariou como refém, para garantir a segurança dos seus 19 subordinados.

Nesta quinta-feira, os marujos desembarcaram na base aérea de Andrews, nos arredores de Washington, onde foram recebidos por parentes e amigos que agitavam bandeirinhas dos EUA e explodiram em gritos e aplausos ao vê-los.

Também nesta quinta, Seul anunciou que enviou um destróier para proteger barcos do país na região dos recentes ataques, em sua primeira missão naval externa. O golfo de Aden, local dos incidentes, liga a Europa à Ásia, via canal de Suez. Trata-se de uma rota importante para navios sul-coreanos que navegam do Oriente Médio transportando petróleo para a Coreia do Sul, quinto maior importador mundial do produto. "Nosso (navio) que foi despachado para as águas somalis em 13 de março para a proteção dos nossos barcos começou a escoltá-los hoje", disse nota do ministério sul-coreano da Defesa.

 

Piratas identificados

 

O governo da Somália identificou diversos líderes dos piratas do mar que atuam no Golfo de Áden, mas precisa de mais recursos para combatê-los. A afirmação foi feita nesta quinta-feira pelo primeiro-ministro da Somália, Omar Abdirashid Ali Sharmarke, em entrevista exclusiva concedida à Associated Press.

 

Sharmarke declarou-se disposto a compartilhar suas informações com outros governos. Ele disse ainda ter planos de combater os piratas reforçando suas forças armadas e estabelecendo uma rede de espionagem ao longo da costa somali. No entanto, não se sabe como isso seria feito, pois o controle do frágil governo somali não se estende além de alguns quarteirões de Mogadiscio, a devastada capital do país.

 

A Somália não tem governo central desde 1991, quando senhores da guerra derrubaram o ditador Mohamed Siad Barre e depois voltaram-se uns contra os outros. A partir de 2004, governos provisórios apoiados pela Organização das Nações Unidas (ONU) passaram a ser formados, mas todos eles, inclusive o atual, encontraram extrema dificuldade para impor autoridade.

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