Casa Branca nega que Bush tenha ligado livre comércio à ajuda

A Casa Branca disse, nesta terça-feira, que o presidente George W. Bush não fez qualquer relação entre as medidas de estímulo à economia ou a ajuda à indústria automobilística e a aprovação pelo Congresso de acordos de livre comércio, durante seu encontro com o presidente eleito Barack Obama. "O presidente não sugeriu um quiproquó", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, a repórteres. No entanto, ela acrescentou que Bush conversou com Obama sobre os méritos do livre comércio durante a reunião que os dois tiveram na segunda-feira. Um conselheiro de Obama, falando sob a condição de anonimato, também disse que Bush não fez esta ligação entre os dois temas durante o encontro que teve com o futuro presidente na Casa Branca. O jornal New York Times, citando pessoas familiares ao encontro, disse que Bush teria indicado dar apoio a uma maior ajuda para o setor automobilístico, além de um pacote maior de estímulo econômico, caso os democratas do Congresso deixem de se opor ao acordo de livre comércio com a Colômbia. No encontro, Obama pediu a Bush que use as medidas existentes de ajuda econômica para auxiliar a indústria, além do empréstimo de 25 bilhões de dólares aprovado em setembro, segundo outro conselheiro de Obama. Este conselheiro, que insistiu para não ter o nome revelado, disse que Obama sugeriu uma aceleração na implementação do atual pacote de ajuda e que se explore as vias existentes na lei. Obama sugeriu também apontar alguém para comandar a questão automobilística. Esta pessoa teria autoridade para fazer reformas que levariam a uma indústria viável, segundo o representante do presidente eleito. Obama também abordou a necessidade de um segundo plano de estímulo à economia que criaria postos de emprego e ajudaria a aliviar "o aperto sobre as famílias", acrescentou o representante. O governo Bush disse que qualquer quantia substancial para os fabricantes deve vir do pacote de ajuda já existente, aprovado para ajudar as montadoras a produzirem veículos mais eficientes no uso de combustível. Mas as mudanças requerem uma ação legislativa adicional, disse Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca. "Estamos abertos a idéias do Congresso para acelerar os fundos que já destinamos ao programa de empréstimo ao setor automobilístico -- contanto que os fundos continuem indo para empresas viáveis e com altas proteções ao contribuinte", disse Fratto. Detroit, pólo do setor automobilístico nos EUA, pediu até mais 25 bilhões de dólares em empréstimos adicionais para evitar o colapso. As vendas de automóveis no país estão despencando, e a General Motors, a Chrysler e a Ford estão perdendo bilhões de dólares a cada mês. Robert Gibbs, porta-voz de Obama, confirmou que o presidente eleito havia levantado a questão em seu encontro com Bush. Segundo Gibbs, os dois conversaram sobre a "saúde em geral" do setor automobilístico, mas Obama não havia requisitado ajuda para nenhum fabricante norte-americano em especial. As declarações do porta-voz foram dadas no vôo da volta de Washington. (Reportagem adicional de Deborah Charles em Chicago)

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