Casais gays começam a se casar na Califórnia

Repartições prometem estender horário de trabalho para atender demanda por licença matrimonial nesta terça

Agências internacionais,

17 de junho de 2008 | 10h54

Centenas de casais homossexuais se preparam nesta terça-feira, 17, para receber suas licenças de matrimônio na Califórnia no primeiro dia em que o tipo de união será reconhecido no Estado.   Veja também: Igreja anglicana celebra a primeira união de sacerdotes gays   A decisão da Suprema Corte da Califórnia, que há um mês declarou inconstitucionais as leis estaduais que proíbem o casamento entre homossexuais, entra oficialmente em vigor no final da noite de segunda-feira. Como as repartições públicas já estavam fechadas, a enxurrada de casamentos gays deve começar nesta terça, embora alguns estabelecimentos tenham prometido estender seu horário de funcionamento para atender aos casais mais impacientes.   A previsão é que antes mesmo do começo do expediente, vários gays e defensores dos direitos dos homossexuais se manifestem em frente a inúmeros cartórios para comemorar um feito que muitos deles consideram histórico. Em algumas dessas repartições, haverá até juízes prontos para celebrar casamentos "expressos" no ato da entrega dos documentos exigidos.   A sentença que tornou o Estado o segundo dos Estados Unidos a autorizar casamentos entre homossexuais - depois de Massachusetts -, representou um balde de água fria para várias organizações conservadoras e religiosas, para as quais os juízes do tribunal extrapolaram suas funções.   Ainda no final da noite de segunda-feira, o prefeito de São Francisco, Gavin Newsom, presidiu o casamento de Del Martin, 87, and Phyllis Lyon, 83. As duas tiveram relacionamento de 55 anos reconhecido durante a cerimônia na Prefeitura da cidade.   Numerosas organizações conservadoras e religiosas esperam contra-atacar no mês de novembro, quando os californianos votarão por mudanças na Constituição do Estado, que define o casamento como "a união de um homem com uma mulher".   "Felizmente, apesar de a Suprema Corte ter ignorado a condição constitucional sobre restrição judicial, o tribunal de apelações pode restaurar o respeito pela lei e evitar o caos legal dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo", afirmou Randy Thomasson, presidente da organização sem fins lucrativos Campaign for Children and Families. A entidade é uma das que apóiam o pedido do Liberty Counsel, organização especializada em litígios que defende a "santidade da vida humana e a família tradicional", para que a autorização judicial aos casamentos gays seja revogada.   No recurso que apresentou, o Liberty Counsel pede que nenhuma licença para uniões entre pessoas do mesmo sexo seja expedida até que se modifique a definição de casamento contida na Constituição estadual, algo que, argumenta a organização, cabe aos legisladores, e não aos juízes. A entidade pede ainda que a liberação do casamento gay seja decidida por meio de uma votação, conforme determina a ata estadual de proteção do casamento.   "Só o Parlamento da Califórnia e os eleitores, por meio de uma iniciativa popular, têm autoridade constitucional para fazer novas leis", destacou Thomasson.

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