Casamento gay ameaça virar perigosa arma eleitoral nos EUA

Assim como nas eleições de 2004, tema divide opiniões e pode influir no voto de conservadores em novembro

Efe,

16 de maio de 2008 | 19h06

A decisão do Supremo Tribunal da Califórnia de aprovar o casamento homossexual reabriu um polêmico debate nos Estados Unidos, que pode ter um grande impacto nas eleições deste ano, como ocorreu no pleito presidencial de 2004 - uma decisão similar em Massachusetts em 2003 permitiu aos republicanos mobilizar suas bases sobre todo o Estado decisivo de Ohio. Veja também:Confira a disputa em cada Estado Conheça a trajetória dos candidatos Cobertura completa das eleições nos EUA  A união de casais do mesmo sexo foi um dos principais temas da campanha de 2004. Dessa maneira, um grande número de estrategistas democratas vinculou o massivo voto da direita religiosa aos republicanos, propiciado pela controvérsia, à derrota do democrata John Kerry. Não está claro, porém, a repercussão que a decisão da Califórnia terá nas eleições deste ano, mas especialistas apontam que há diferenças importantes em relação a 2004. A mais notável é a crise econômica, que se transformou em uma das principais preocupações dos eleitores, uma vez que afeta todos os bolsos. Além desta questão, soma-se a guerra do Iraque, outro tema que domina a atenção dos eleitores americanos. Aprovação popular As últimas pesquisas sobre o tema indicam que, apesar de impopular, a desaprovação do matrimônio diminuiu. De acordo com uma análise elaborada pelo Centro Pew no final de 2007, 55% dos americanos se opõe a união de homossexuais, enquanto em 2004 o resultado era 63%. De qualquer forma, ninguém questiona que o assunto ainda gera muita controvérsia. Os esforços dos grupos conservadores californianos, que querem incluir nos votos de novembro uma iniciativa para modificar a constituição do Estado e declarar o matrimônio inconstitucional são exemplos da rejeição. Caso esta mudança na Carta Magna seja aprovada, todas as decisões anterior serão anuladas. Sob este panorama, especialista apontam que a lógica é de que o debate unifique os eleitores conservadores em assuntos sociais. Pero Richard Parker, professor da Universidade de Harvard, disse que, ao contrário do que possa parecer, não está claro que um cenário deste tipo beneficie automaticamente o candidato republicano John McCain. "McCain precisa atrair votos moderados e independentes. Esses grupos não se opõe necessariamente a união de casais do mesmo sexo", explicou o professor.  A complicação não acaba aí: McCain disse abertamente que se opõe a uma emenda constitucional federal para proibir o casamento gay, o que o coloca em uma posição delicada com a ala conservadora do Partido Republicano. O senador Barack Obama, favorito para receber a indicação presidencial do Partido Democrata, disse que apesar de acreditar que o casamento deve acontecer entre homens e mulheres, respeita a lei federal sobre uniões civis, que dá aos casais gays muitos dos direitos previstos para o matrimônio heterossexual. Parker alerta que a controvérsia sobre o casamento gay também traz riscos para Obama. Ele afirma que os republicanos poderão usar a questão contra o democrata, para conseguir votos dos eleitores hispânicos, que em sua maioria são católicos. Segundo o The Wall Street Journal, os hispânicos serão, junto com os jovens, classe operária branca e moradores da zona rural, os eleitores que decidirão as eleições gerais de novembro. Hillary Clinton, que compete pela indicação democrata de forma cada vez mais distante, também respalda a união civil de homossexuais, apesar de defender que são Estados quem deve decidir a questão.

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