Caso de mesquita em NY é sobre papel do islã nos EUA, diz religioso

Segundo imã idealizador do projeto, disputa 'se ampliou mais além do que um pedaço de terreno'

AP,

31 de agosto de 2010 | 20h14

 

DUBAI- O Imã Feisal Abdul Rauf, líder muçulmano idealizador da construção de uma mesquita e um centro islâmico próximo ao Marco Zero, em Nova York, local onde ficava o World Trade Center, disse nesta terça-feira, 31, que a disputa vai mais além do que "um pedaço de terreno" e poderia moldar o futuro das relações muçulmanas nos Estados Unidos.

 

A disputa "se ampliou mais além de um pedaço de terreno e se expandiu ao islã nos Estados Unidos e no que ele significa para o país", disse Rauf a um grupo de professoras e analistas em Dubai.

 

O religioso sugeriu que os questionamentos em torno do seu projeto poderia fazer com que muitos muçulmanos se perguntassem sobre seu lugar na vida política e cívica nos Estados Unidos.

 

Rauf não respondeu às perguntas sobre se há possibilidades de construir o complexo islâmico em outro lugar, e repetiu com insistência que é preciso apoiar todas as liberdades civis e religiosas nos Estados Unidos.

 

"Sou feliz de ser americano", disse Rauf a cerca de 200 pessoas na Escola do Governo de Dubai, um centro de pesquisas, em sua última apresentação em público durante sua visita de 15 dias ao Golfo Pérsico, financiada pelo Departamento de Estado com o objetivo de promover a tolerância religiosa.

 

O imã disse que se aproximou mais do islã logo após mudar-se para os Estados Unidos, onde teve que escolher entre seguir o caminho da fé ou ficar longe dela.

 

Durante sua viagem, geralmente Rauf tem fugido das perguntas sobre os protestos contra a localização do entro islâmico, a duas quadras do lugar onde quase 3 mil americanos morreram nos ataques às Torres Gêmeas, em setembro de 2001.

 

O projeto despertou críticas dos familiares das vítimas dos atentados de 2001, realizados por fundamentalistas islâmicos. Eles consideram o local sensível para a construção do centro e acreditam que erguê-lo ali seria um ato de desrespeito.

 

O complexo de 13 andares que está sendo construído foi orçado em US$ 100 milhões. O centro terá uma mesquita, estações culturais, áreas esportivas e outros espaços públicos.

 

O governo do Estado de Nova Jersey já ofereceu um terreno longe do Marco Zero para a construção do centro. Os idealizadores do projeto, porém, alegam que ele atenderia a comunidade de Manhattan e descartaram levá-lo para outro lugar.

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